A formalização da intervenção no PFL de Londrina deverá acontecer na segunda-feira, às 11 horas, na sede do partido, em Curitiba, onde membros da executiva estadual e da municipal vão, finalmente, discutir o futuro da sigla no município. Se acatar a determinação do presidente do partido, senador Jorge Bornhausen, e da executiva nacional, será decretada a intervenção.
‘‘Apesar de todo o desgaste que o partido sofreu em Londrina com a repercussão do afastamento do prefeito Antônio Belinati, foi dado um prazo para que os membros do diretório chegassem a um consenso’’, observou o vice-presidente do diretório estadual, deputado Abelardo Lupion. ‘‘Como isso não aconteceu, temos que tomar uma providência, doa a quem doer.’’
Além do presidente da comissão provisória municipal, Farage Kouri, também foram convocados os três vereadores do PFL em Londrina – Adalberto Pereira, Antônio Ursi e Carlos Santos Rosa. Os três iniciaram, em abril, o movimento para a intervenção no município.
Lupion afirmou que a executiva não quer prejudicar o projeto político de nenhum membro da comissão provisória, mas ponderou que se nada for feito agora, o partido corre o risco de perder até a representatividade na Câmara Municipal.
Num tom de desabafo, o deputado afirmou que o PFL já foi muito prejudicado em Londrina. Ele lembrou do episódio que marcou a saída do deputado federal Alex Canziani (atualmente no PSDB) do partido, por divergências com Belinati. ‘‘Perdemos duplamente, pois além de Alex deixar a Secretaria do Trabalho no governo Jaime Lerner, ainda perdemos ele como deputado federal’’.
Para o presidente do diretório, Farage Couri, candidato do partido à prefeitura de Londrina, causa estranheza o comportamento dos três vereadores que, afirma, têm trabalhado para a ‘‘destruição’’ do partido. ‘‘Temos aproximadamente 4 mil filiados, uma executiva aberta para debater, mas ao invés disso, eles vão ler documentos na Câmara e fazer denúncia pela imprensa’’, criticou.
Ele também questionou a ‘‘coincidência’’ do posicionamento dos vereadores, justamente num ano eleitoral. ‘‘Não sei por quais interesses eles estão sendo movidos, mas infelizmente a tradição da nossa política é sempre marcada por muitas negociações e decisões em que os projetos pessoais estão acima de tudo’’, acusou.
Afirmando que não suporta mais as pressões, Farage confidenciou que não irá para a reunião de Curitiba de ‘‘mãos vazias’’. Ele disse que irá levar documentos que provam ‘‘quem é quem no partido em Londrina.’’ O presidente da comissão provisória afirmou que, oportunamente, poderá fazer outras revelações sobre esse período tumultuado do PFL em Londrina.
Os três vereadores confirmaram que fazem questão de ir a Curitiba para evitar que a intervenção resulte em uma ‘‘troca de seis por meia dúzia.’’. ‘‘Estamos apreensivos e não queremos que assuma uma pessoa ligada a Belinati ou ao próprio Farage, mas alguém que esteja voltado aos interesses do partido’’, ressaltou Santa Rosa.
Os vereadores lembram que já enviaram uma lista à executiva estadual de nomes que eles entendem que poderia dirigir a comissão em Londrina. A relação é encabeçada pelo ex-governador Otávio Cesário Pereira.

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