Salvo imprevisto, o comando estadual do PFL se reúne informalmente hoje para discutir a crise instaurada no partido com as investigações do Ministério Público (MP) em busca de um caixa 2 na campanha que reelegeu o prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi. O partido, que trabalha o nome de Cassio para a sucessão do governador Jaime Lerner (PFL), está preocupado com o estrago na imagem, deixado pelo tesoureiro de campanha, Francisco Paladino Júnior, que confirmou a existência de contabilidade paralela, não declarada à Justiça Eleitoral. A reunião, na sede do partido, está sendo organizada pelo vice-presidente, deputado federal Abelardo Lupion.

O PFL tem consciência que, sob o ponto de vista político, não poderá assumir o ônus da crise, caso as investigações do MP evoluam até um afastamento de cargo e processo de cassação de mandato. Foi assim quando da cassação do ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (PL), marido da vice-governadora Emília Belinati (PFL), em junho de 2000. O PFL se silenciou diante das graves denúncias de desvio de dinheiro da Prefeitura de Londrina. Mesma estratégia está sendo adotada no caso do caixa 2 de Cassio.

Procurado pela Folha na quinta-feira, o presidente estadual do PFL, ex-governador João Elísio Ferraz de Campos, repassou a responsabilidade pelos comentários sobre o escândalo ao presidente do comando municipal pefelista, José Carlos Ciccarino, que tratou de preservar a imagem do partido. Conforme matéria exclusiva publicada ontem pela Folha, contendo novos documentos que apontam contabilidade paralela e sonegação de informações à Justiça Eleitoral, se a denúncia de caixa 2 for comprovada o PFL fica sujeito a sanções como uma multa que pode variar de cinco a dez vezes o total que excedeu ao declarado à Justiça de R$ 149 milhões a R$ 298 milhões. Além disso, o PFL perderia o direito ao recebimento da cota do Fundo Partidário nas próximas eleições. Num ano pré-eleitoral, sanções desse calibre seriam bastante prejudiciais.

A falta de opções para a sucessão de Lerner, com a derrocada de Cassio, é outro tema que preocupa. O PFL não tem nomes de peso e corre o risco de ficar refém do secretário de Comunicação Social, Rafael Greca, que assiste de camarote à crise do aliado p olítico que o rejeitou durante a campanha eleitoral. A melhor estratégia, segundo pefelistas ouvidos pela Folha e que não quiseram se identificar, é trabalhar nomes alternativos, o que demanda tempo, jogo de cintura e costuras da direção pefelista, acostumada nas últimas quatro eleições a vencer.

Os deputados e lideranças, aguardados para o encontro, trazem para a reunião a visão de como está repercutindo o escândalo em Brasília. Uns preocupados por terem seus nomes no livro-caixa que teria registrado as movimentações financeiras não declaradas. Outros, vendo no desgaste de Cassio a chance de trabalhar o nome de um parlamentar para a sucessão de Lerner.

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