Curitiba - Mais um empresário confirmou ontem ter prestado serviços para a campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). O proprietário de uma empresa de fogos de artifício, André Lanza, declarou no Ministério Público (MP) estadual que teria organizado espetáculos pirotécnicos no valor de R$ 33.500,00, sendo que destes apenas R$ 9.800,00 foram declarados oficialmente na prestação de contas do partido à Justiça eleitoral.
Lanza afirmou também que não recebeu o valor total pelos serviços prestados para o comitê do PFL até hoje. De acordo com o empresário, somente o valor declarado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) foi pago, e ele teria recibos comprovando um calote do comitê, totalizando R$ 23.700,00.
Segundo Lanza, as transações eram realizadas diretamente com José Alberto Reimann, um dos coordenadores da campanha de Cassio. Reimann, que já foi secretário de Administração da prefeitura, é réu de uma ação movida pelo MP por supostas irregularidades no programa de saúde bucal Cárie Zero. O ex-secretário foi intimado pela Justiça a disponibilizar R$ 45 mil em bens pessoais por ter causado prejuízo aos cofres públicos.
Além de Lanza, outro empresário já havia se queixado por não ter recebido o pagamento combinado com os organizadores da campanha. O presidente do instituto de pesquisa Brasmarket, Ronald Kuntz, declarou no dia 20 de dezembro aos promotores do MP paulista que não teria recebido cerca de R$ 66 mil referentes a serviços de pesquisa realizados durante o período eleitoral. Segundo ele, o instituto Brasmarket foi contratado por uma soma de R$ 170 mil, que também não foi declarada ao TRE.
O MP investiga a hipótese de que o dinheiro não repassado às empresas tenha sido dividido entre os próprios membros do comitê do PFL. A suspeita foi levantada pelo promotor do MP mineiro Rodrigo Albuquerque, que tomou o depoimento do presidente do instituto de pesquisas Vox Populi, Marcos Coimbra. No dia 20 de dezembro, Coimbra declarou ao promotor que o Vox Populi não teria prestado serviços ao PFL de Curitiba, e sim para o diretório nacional do partido, que teria pago R$ 800 mil para que o instituto realizasse o trabalho nacionalmente.
Entradas no livro-caixa redigido pelo tesoureiro da campanha de Cassio, Francisco Paladino Júnior, apontam para um pagamento de R$ 639,9 mil ao Vox Populi feito pelo comitê do prefeito. ‘‘O valor parece ser alto para a realização de uma pesquisa municipal. Acredito que os recibos possam ter sido usados para desviar sobras de campanha dentro do próprio comit꒒, disse Albuquerque.

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