PFL decide hoje sobre Cordeiro
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quarta-feira, 17 de setembro de 1997
Curitiba e Guarapuava 
A executiva nacional do PFL julga hoje em Brasília os cerca de 400 pedidos de impugnação protocolados contra a filiação do deputado federal Paulo Cordeiro no partido. A reunião, que ocorre toda semana, está marcada para às 10 horas e pode definir o destino partidário do deputado.
A polêmica sobre a sua filiação é fomentada por boa parte da bancada federal do PFL que não quer a entrada de Cordeiro. Liderados pelo deputado Luciano Pizzatto, adversário do ex-presidente da Telepar, inúmeros pefelistas manifestaram descontentamento com a filiação já anunciada por Cordeiro como consumada. Internamente, a bancada coordenou um abaixo-assinado de repúdio ao ingresso.
Os dois pedidos de impugnação de maior peso que hoje passam pelo crivo da executiva nacional são o do diretório municipal de Curitiba e o do prefeito de Irati, Rodrigo Hilgemberg. Os pefelistas de Curitiba não vêem com bons olhos a filiação. Questionam a moral e ética do deputado.
Cordeiro está disposto a acionar o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (BA), para interceder em seu favor. Segundo ele, foi ACM quem o convidou para assinar ficha de filiação no partido.
InfidelidadeO vereador de Guarapuava Benedito de Paula Louro, que se desfiliou do PDT há cerca de quatro meses, pode perder seu mandato por infidelidade partidária. O diretório municipal do PDT alega que Louro assinou termo de compromisso com o partido e que com sua desfiliação, o mandato pertence ao PDT. Com isso, o suplente de Louro, Celso Kogut, deveria assumir a vaga.
Segundo o presidente municipal do PDT, Boris Esteche Martins, existe no estatuto do partido um capítulo sobre a fidelidade partidária. Nesse capítulo está escrito que o mandato pertence ao partido e não ao candidato, afirma.
Martins disse ainda que o vereador sempre teve conhecimento do termo de compromisso. Vamos reunir a executiva do partido e avaliar a situação do vereador. Após isso vamos levar a questão para votação onde será decidido se o suplente deve assumir a vaga de Louro, disse.
Segundo Louro, sua desfiliação do partido se deu depois que Leonel Brizola fez declarações incitando os brasileiros a uma revolução. Ele queria que o povo se revoltasse contra FHC na forma de revolução armada. Me revoltei, não posso compactuar com isso e por esse motivo saí do PDT, disse.
Louro acha que o diretório do partido está interpretando de maneira errada o termo de compromisso. Se consultarem o Tribunal Regional Eleitoral vão ver que não podem me tirar o mandato. Eu só assinei o termo de compromisso porque me ameaçaram tirar a legenda, afirmou.
O vereador diz que vai esperar a decisão da Justiça, mas ele também não descarta a possibilidade de voltar ao partido. Se não houver recursos, posso até voltar para o PDT. Porém, o estatuto do partido não se sobrepõe à Constituição Federal e, se fosse assim, o governador Jaime Lerner (PFL) teria que ser cassado também, afirmou.


