Brasília - O PFL decidiu acomodar-se em torno da candidatura do tucano José Serra à Presidência da República. Não dará apoio formal, mas permitirá que o partido monte palanques para o candidato do PSDB nos Estados. ‘‘Não há outro caminho a não ser o da liberdade. Uma coisa é o apoio e a outra é a acomodação’’, disse o presidente nacional do partido, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC).
Mesmo assim, ele ouvirá a opinião dos 27 dirigentes das executivas estaduais na quinta-feira.
Depois de lutar pela candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (MA) para a Presidência, de vê-la crescer nas pesquisas, romper com o governo e ficar impotente diante das denúncias de envolvimento da pré-candidata em irregularidades, a direção do PFL concluiu que, mesmo que quisesse, não teria como dar apoio a um ou outro candidato.
Aproveitando a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que decidiu vincular as alianças regionais à nacional, quase todos os diretórios pefelistas nos Estados já fecharam suas coligações. A maioria está compondo com o PSDB, mas essa possibilidade não existe em alguns Estados, como Amapá, Rio Grande do Sul e Sergipe.
À esta altura, parece tarde para o PFL declarar apoio formal a Serra, como defendem o prefeito do Rio, Cesar Maia, e o deputado e ex-ministro Roberto Brant (MG). O partido, portanto, vai abrir mão da disputa para a Presidência e correrá o risco de, em vez de ser um partido nacional, tornar-se um amontoado de sublegendas regionais.
Com isso, o PFL coloca em segundo plano um projeto de governo e se prepara para a eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. ‘‘Se o Lula ganhar, só nós iremos para a oposição, porque os outros partidos, até mesmo o PSDB, deverão aderir’’, afirmou Bornhausen.
‘‘Todo mundo sabe que não é possível governar sem uma ampla coalização e, vitorioso, o PT vai procurar fazer uma aliança com o PMDB, com o PSDB e com os outros partidos de oposição’’, avaliou o presidente do PFL.

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