Brasília O PFL faz de tudo para atrair o PMDB para a candidatura da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, à Presidência da República. Mas não vai ser fácil. Os dois partidos colecionam diferenças regionais que podem tornar inviável a aliança esperada, a menos que seja ampla, como a atual, que tem quatro partidos e não necessita pôr em um único palanque adversários tão ferrenhos quanto os do PFL e do PMDB.

Em alguns Estados, essa coligação é impossível de ocorrer. Na Bahia, por exemplo, nem um milagre poderá unir as alas do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, do PFL, e do líder do PMDB, Geddel Vieira Lima. No Rio Grande do Norte, é impensável a união dos dois partidos. Os Maia, do PFL, disputam há dezenas de anos o controle do Estado com os Alves, do PMDB.

É tão grave a situação ali que até políticos de outros partidos acabam sendo queimados por causa da briga de peemedebistas com pefelistas. Por exemplo: o presidente Fernando Henrique Cardoso não conseguiu nomear o senador Geraldo Melo, do PSDB, para o cargo de líder do governo porque havia uma suspeita de que os tucanos fariam aliança com o PMDB na eleição para o governo no ano que vem.

O nome de Melo para o cargo de líder do governo foi vetado pelo senador José Agripino Maia, hoje líder do PFL no Senado. Fernando Henrique teve de recorrer ao senador Artur da Távola (PSDB-RJ), que ocupava a Secretaria de Cultura do Rio, para não deixar o cargo vago.

No Tocantins também os grandes inimigos são o PFL, do governador Siqueira Campos, e o PMDB, do deputado Freire Júnior. Não há semana em que Freire Júnior não ocupe a tribuna da Câmara para pedir, entre outras coisas, a prisão de Siqueira Campos.

No Paraná e em Santa Catarina, PFL e PMDB são do mesmo modo irreconciliáveis. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) faz oposição tão feroz ao governador Jaime Lerner (PFL), que o Paraná não consegue nem aprovar pedidos de empréstimo externo, porque antes os termos têm de ser autorizados pelo Senado. E, em Santa Catarina, o ex-governador Paulo Afonso Vieira, do PMDB, atribui suas desgraças a uma perseguição do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, principalmente em 1996 e 1997, durante os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Precatórios.

Bornhausen reconhece as dificuldades regionais, mas acredita que a coligação federal poderá passar ao largo das questiúnculas estaduais. ''Trabalho por uma aliança que contenha o PFL, o PSDB, o PMDB, o PPB e o PTB.''

O presidente do PMDB, Michel Temer (SP), diz que seu partido está na condição de uma ''noiva muito cobiçada''. Mas acha que é muito cedo para falar qualquer coisa. A princípio, a única decisão entre PMDB, PFL e PSDB é um pacto de não agressão. ''Temos uma realidade, que é a prévia para a escolha do candidato a presidente da República, marcada para 17 de março.''

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