O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), disse ontem que o partido vai intervir no diretório de Londrina. Segundo ele, o pedido dos três vereadores de Londrina requerendo a intervenção foi distribuído ontem ao deputado federal paranaense Affonso Camargo e ele se pronunciou a favor de que se modifique ‘‘inteiramente a comissão provisória de Londrina, nomeando uma nova’’. ‘‘Segunda-feira, o diretório regional do Paraná, pela sua executiva, vai tomar as providências necessárias’’, prometeu Bornhausen. As declarações foram dadas ontem à tarde, em entrevista à Rádio CBN.
A Folha apurou, no entanto, que, se dependesse da executiva nacional do PFL, a intervenção já teria ocorrido antes. Ontem, a reportagem ouviu, em Brasília, membros e assessores da cúpula pefelista e todos foram unânimes em condenar as irregularidades cometidas pela administração do prefeito afastado Antonio Belinati. Eles também criticaram o comportamento de Belinati, que optou por fugir ao invés de receber a notificação judicial sobre seu afastamento. ‘‘Todas essas manobras ganharam repercussão nacional e têm servido apenas para manchar a imagem do partido’’, confidenciou uma fonte ligada ao senador Jorge Bornhausen.
Numa conversa com o governador de São Paulo Mário Covas (PSDB) a respeito do afastamento do prefeito de São Paulo, Celso Pitta, Bornhausen teria lembrado o caso de Londrina, e dito que Belinati fez pior, ‘‘ao se tornar fugitivo da Justiça’’. Assessores da executiva fizeram questão de lembrar que o prefeito de Londrina nunca foi do PFL e sim ‘‘originário do PDT’’, e que sua filiação ao partido fez parte da cota do governador Jaime Lerner. Esse detalhe, segundo membros da cúpula do partido, é o que ainda tem impedido a intervenção no diretório municipal e até mesmo a expulsão de Belinati do PFL.
A avaliação é de que todas as medidas que forem tomadas contra o diretório municipal e contra Belinati terão consequências diretas sobre o Palácio Iguaçu. Tanto por Lerner ter abonado a ficha do prefeito no PFL como também pelo fato de a vice-governadora Emília Belinati (PTB) ser mulher do prefeito.
A interpretação da cúpula do PFL é de que a crise política de Londrina já chegou ao governo do Estado, tanto que Lerner suspendeu viagem ao exterior para não constranger Emília a assumir o Palácio Iguaçu.
O pedido de intervenção no PFL de Londrina foi feito pelos três vereadores do partido no município, Adalberto Pereira, Antônio Ursi e Carlos Santa Rosa. Eles alegam que a sigla terá desgaste ainda maior caso a intervenção não saia logo. Os vereadores temem ainda repercussão negativa nas urnas por causa do envolvimento do prefeito pefelista nas denúncias de corrupção.

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