Divulgação/ObritonewsCampanhaFernando Henrique, a atriz Dercy Gonçalves, Luiz Paulo e Alencar, em Nova IguaçuO comando do PFL fluminense comemorou discretamente como vitória sua a passagem do presidente Fernando Henrique Cardoso pelo Rio de Janeiro no final de semana. ‘‘Estamos quites: foram dois eventos para nós e dois para eles’’, afirmou o presidente da legenda, deputado Arolde de Oliveira, referindo-se ao PSDB do Rio, cujo candidato ao governo é Luiz Paulo Corrêa da Rocha. O candidato do PFL é César Maia. Para os tucanos, não houve constrangimento com a suspensão de parte da agenda de Luiz Paulo com o presidente, que sábado à noite participou de comício do PSDB em Nova Iguaçu e afirmou: ‘‘Eu quero Luiz Paulo governador do Rio.’’
Com César Maia, o presidente visitou uma das obras de maior repercussão do pefelista, o Favela Bairro (urbanização) do Parque Royal, onde pediu votos ‘‘em quem vai continuar’’ o programa. A Estação Pavuna do Metrô e a Via Light, obras do governo estadual associadas a Luiz Paulo, saíram de manhã da programação presidencial, formalmente por falta de tempo, de segurança e de condições climáticas.
Maia disse ontem que não houve intenção de FHC de favorecê-lo, mas admitiu que as circunstâncias (entre elas, o mau tempo) podem tê-lo ajudado. ‘‘Conversei longamente com o presidente, sua disposição é ir aos dois palanques’’, disse Maia. ‘‘É claro que o noticiário me favorece.’’ Ele lembrou que as edições de domingo dos jornais fecham cedo no sábado, e que, por isso, eventos que ocorreram primeiro - o almoço com políticos pró-Maia e a visita ao Parque Royal - tiveram mais destaque. Luiz Paulo também insistiu que a suspensão da agenda com o presidente não o prejudicou. ‘‘O que valeu foi o comício.’’
Os dois candidatos usarão em suas campanhas no Rio as imagens de Fernando Henrique. ‘‘Vamos colocar quando acharamos que devemos’’, disse Luiz Paulo, tentando despistar. Maia foi mais explícito e antecipou que os trechos em que o presidente se referiu a pontos em comum com seu programa de governo, como o Favela-Bairro e o combate às drogas, serão mostrados na TV. ‘‘Se não for colado a itens programáticos, fica muito inorgânico’’, disse. O pefelista vibrou com a declaração do presidente, que dissera que ‘‘não daria as mãos a quem é ligado às drogas’’. ‘‘Foi um pronunciamento contra o populismo’’, interpretou Maia, que acusa o PDT de facilitar a penetração do tráfico.
Nem os shows como o do cantor Netinho e o grupo Só Pra Contrariar conseguiram esquentar o comício de Luiz Paulo. Os organizadores esperavam reunir cerca de 100 mil pessoas na Avenida Araguaia, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, mas, segundo a Polícia Militar, o público não passou de 35 mil participantes. O comício do Parque Royal também teve público abaixo do esperado. Dos 7 mil esperados, apenas cerca de 1,5 mil compareceram, segundo a Polícia Militar.

mockup