Brasília - A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter a vinculação das coligações estaduais à nacional deixou o PFL mais próximo de Ciro Gomes, candidato a presidente da República pelo PPS, com o apoio do PDT e do PTB. Desde o anúncio do STF a cúpula pefelista trabalha não por uma aliança branca com Ciro e, sim, por uma aliança oficial, que obrigaria o partido a repetir nos estados a coligação para a chapa do candidato à presidência.
Por trás do movimento pró-Ciro estão os políticos mais influentes do PFL, como o próprio presidente nacional do partido, senador licenciado Jorge Bornhausen, o deputado e ex-ministro Roberto Brant (MG), o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA), o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, e a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney. Eles concluíram que com a decisão do STF de manter a vinculação das coligações um dos únicos caminhos que restam ao PFL é o do apoio oficial a Ciro.
Bornhausen e outros integrantes da direção do PFL começam na próxima terça-feira a ouvir parlamentares sobre os rumos do partido. Depois, será a vez dos presidentes dos diretórios estaduais, dos governadores e dos prefeitos de capitais. Na segunda fase, Bornhausen conversará com ACM, Roseana e Marco Maciel. ‘‘Vamos fazer uma radiografia do pensamento do partido, estado por estado, e de seus dirigentes principais’’, diz Bornhausen.
Antes do início das consultas, Roberto Brant quer conversar com todos os parlamentares do PFL. Ele vai defender o apoio a Ciro Gomes. ‘‘Se o PFL abrir mão da candidatura para presidente da República, deixa de ser partido e para tornar-se um bando de mercadores’’, afirma. O deputado admite que um setor do partido –principalmente o chamado ‘‘baixo clero’’– vai fazer pressão para que não seja feita a aliança nacional. Assim, o PFL ficaria liberado nos estados para fazer a coligação que quisesse. Mas ele acha que será possível impedir a vitória dessa ala.
Brant é tão enfático na sua defesa do engajamento do PFL numa candidatura, que anuncia o fim de sua carreira política, caso o partido decida não apoiar ninguém. ‘‘Abandonarei a política e darei fim à minha breve carreira, porque não vou me juntar a um bando que vai mercadejar o apoio de um ou outro partido assim que chegar ao Congresso’’, afirma.
Para ele, não ter candidato é levar o PFL a se render ao PSDB. ‘‘Primeiro, o PSDB acabou com a nossa candidata (Roseana Sarney); agora, tenta cooptar parlamentares de nosso partido, ao perceber que podemos fazer a coligação com Ciro Gomes. Aliar-se ao PSDB é infamante’’, afirma.

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