PFL articula candidatura para 2002
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Agência Folha 
Agência Estado
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RetornoJorge Bornhausen, que volta à presidência do PFL, e o governador Jaime Lerner: preparando o futuroNuma planejada manifestação de força e unidade, os principais líderes do PFL armaram ontem publicamente o palanque de uma candidatura própria para 2002 e selaram o fim da aliança eleitoral com o PSDB. A aliança, inaugurada há quatro anos, seria desfeita ao final de um eventual segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Já temos um candidato próprio e forte, que virá empolgar, discursou o líder no PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). Ao final da solenidade, que marcou a volta do embaixador Jorge Bornhausen à presidência do partido, o deputado deu nome ao candidato: É o (deputado) Luís Eduardo Magalhães. No ano 2002, nosso projeto estará totalmente desabrochado e pleno, endossou o vice-presidente Marco Maciel, aplaudido como candidato a vice na chapa da reeleição de FHC.
Preocupado em não precipitar o lançamento da sucessão de 2002, Bornhausen evitou comentar o futuro da aliança PFL-PSDB: Não vamos discutir agora um assunto de 1999. Vamos por etapas. Primeiro ele quer definir a reforma ministerial do final do mês e detalhes da campanha eleitoral. O presidente do PSDB, senador Teotonio Vilela Filho (AL), avalia que dificilmente a aliança se manterá até 2002. O PFL teria de novamente apoiar nosso candidato, o que é difícil que aconteça.
Agência Estado
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De olho no PlanaltoACM entre os líderes pefelistas: filho está sendo preparado para suceder Fernando Henrique
Essa aliança se fez muito em torno da figura do presidente Fernando Henrique, comentou ontem. Durante a festa pefelista, que lotou um auditório do Senado, fez sucesso uma provocação feita ao PMDB, partido que também deverá integrar a chapa da reeleição. Tem partido que não pode reunir a Executiva. Só se chamar a polícia, discursou o presidente interino do PFL, deputado José Jorge (PE), numa referência à tumultuada convenção do último domingo. Foi aplaudidíssimo.
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), também comparou o partido ao PMDB: Nossas divergências existem, mas são discutidas internamente. Sem o PFL, não há governabilidade no Brasil. Com um olho na reeleição de FHC e outro no próprio futuro, os dirigentes pefelistas divulgaram a primeira versão da proposta de política social, uma contribuição ao programa de governo de FHC. O PFL não quer ser conhecido apenas pela defesa da privatização e da abertura econômica. O documento pefelista, que contém 170 páginas, classifica de alarmantes e melancólicos o número de pobres no país e os dados sobre a concentração de renda.
Tanto no mundo, como no Brasil, a pobreza econômica assume proporções dramáticas e reflete uma situação eticamente inaceitável, afirma o texto. Entre as propostas, está a implantação de um programa de renda mínima para famílias com renda per capita inferior a R$ 50. O programa seria financiado por fundos municipais constituídos por 1% dos orçamentos municipais e repasses de verbas estaduais e federais. A exemplo do programa em funcionamento no Distrito Federal, seria exigida das famílias, como contrapartida à renda mínima, frequência de 90% às aulas dos filhos em idade escolar.
O documento do PFL dedica um capítulo ao novo sistema de aposentadorias que quer ver implantado na segunda geração de reformas. Trata-se de um modelo semelhante ao adotado na Argentina e no Uruguai, batizado de previdência de capitalização, segundo o qual cada um ganha de acordo com o que contribuiu em contas individuais. O Estado garante um valor mínimo, bancado pela contribuição dos trabalhadores. Em todo o documento, não há nenhuma menção ao principal programa social do governo FHC, o Comunidade Solidária, comandado pela primeira-dama, Ruth Cardoso.
No capítulo dedicado à reforma agrária, aparecem críticas à ação do governo. Os governos vêm agindo timidamente, não raro apalpando o problema apenas na superfície, o que transmite uma grande sensação de insegurança em relação aos destinos da reforma agrária, afirma o texto.


