O PFL está aproveitando a crise interna do PTB para ‘engordar’ o partido no Paraná. O presidente do diretório estadual e ex-petebista José Carlos Gomes de Carvalho - o ‘‘Carvalhinho’’ - já convidou os seis deputados estaduais, os três federais, e os secretários da Agricultura, Hermas Brandão, e da Indústria e Comércio, Nelson Justus, do PTB, para assinarem ficha de filiação numa grande festa, ainda sem data definida, que está sendo organizada para os próximos dias.
Carvalhinho aposta que a ida do presidente da Assembléia, Aníbal Khury - já confirmada por ele mesmo na última quinta-feira -, provocará uma transferência em bloco dos petebistas para o PFL. Luiz Carlos Alborghetti anuncia amanhã o seu desligamento do PTB e o secretário da Agricultura já admite que está com um pé no PFL. ‘‘Teremos um crescimento não só em quantidade, mas também em qualidade’’, contabiliza. Hoje, o PFL tem cinco deputados estaduais e oito federais. A expectativa é de que as duas bancadas detenham no mínimo 10 parlamentares.
O presidente do PFL diz que o partido mudou de perfil, se comparado com as eleições para o governo em 94 e as municipais de 96. ‘‘Não somos mais coadjuvantes. Crescemos e conquistamos um espaço político próprio’’, avalia o dirigente. Carvalhinho não acredita que uma filiação em bloco vá inchar o PFL. ‘‘O nosso coeficiente eleitoral vai crescer, e isso é positivo’’, contra-argumenta.
O presidente estadual do PTB, Nelson Justus, não esconde a preocupação com o ‘assédio’ da cúpula do PFL. ‘‘Não recebi ainda nenhuma comunicação do Alborghetti, mas eu já esperava. É normal que haja uma movimentação. Tentaremos buscar é uma acomodação’’, promete o secretário da Indústria e do Comércio, que em uma semana resolve o desconforto interno no PTB gerado com as desavenças entre Khury e o presidente nacional do PTB, senador José Eduardo de Andrade Vieira.
Justus aconselha os petebistas ‘‘a pensar duas vezes antes de sair do partido’’. ‘‘Está muito claro para mim que haverá um congestionamento no PFL. A legislação não dá a coligação na proporcional ainda como fato consumado’’, pondera. O secretário diz que fica no PTB, desde que o partido feche apoio à reeleição do governador Jaime Lerner. (L.D.)

mockup