Brasília - O PFL decidiu ontem apresentar uma notícia-crime na Procuradoria Regional da República da 1 Região, contra o tesoureiro Delúbio Soares, que supostamente articulava o pagamento do ''mensalão'' para deputados do PP e PL, segundo denúncia do presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ) à Folha de S.Paulo.
A liderança pefelista também apresentou ao Ministério da Justiça um pedido de proteção da Polícia Federal para Roberto Jefferson, que correria risco de morte por ser uma testemunha de crimes de corrupção do governo. A precaução seria devida à possibilidade de novas revelações.
O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, vice-presidente da sigla, também acusou o governo de chantagem autoritária contra a oposição devido ao risco de crise institucional - argumento aceito pela oposição tucana. Para ele, é preciso deixar claro que a CPI vai investigar a ''matriz da corrupção'', o Executivo.
''É uma chantagem autoritária, um absurdo, exigir da oposição um comportamento frouxo em nome de uma pseudocrise institucional ou de desdobramentos na economia. A oposição vai cobrar até as últimas consequências, não vai poupar ninguém'', disse Maia.
Para ele, não se deve falar em impeachment porque ainda está em tempo de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dar sua própria versão à acusação, já que apenas ministros apresentaram versões do relato de Jefferson.
Maia afirmou que aguarda permissão de um parlamentar para revelar detalhes de seu relato de um episódio no qual teria presenciado o pagamento da mesada petista a um grupo de deputados em um restaurante em Brasília.
O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, disse que a notícia-crime é necessária porque Delúbio Soares não deu respostas satisfatórias e precisa ser investigado.

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