Arquivo FolhaAmarrasÁlvaro Dias: ‘‘Nem na época da ditadura havia uma lei eleitoral draconiana como esta’’O presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), está sendo pressionado pelo PFL e setores do PSDB - partidos alinhados ao presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - a desistir da sua pré-candidatura ao governo do Paraná e de suas pretensões em concorrer ao Senado em 98 para deixar o caminho livre para a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL). As articulações para neutralizar a ação política do ex-governador, que mais que o senador Roberto Requião (PMDB) representa hoje ameaça para a recondução de Lerner ao Palácio Iguaçu, são avalizadas pelo Palácio do Planalto, em Brasília.
O processo de esvaziamento do PSDB no Paraná - que dos nove deputados estaduais conta com quatro a menos - seria apenas um detalhe do plano de tentar ‘escantear’ o presidente da Telepar. Álvaro não confirma, mas também não nega que esteja sendo ‘vítima’ da articulação. A ‘suavidade’ do discurso adotado anteontem, quando comentou a ‘revoada’ tucana na Assembléia no retorno da viagem aos Estados Unidos, é um sinal nítido da pressão. Álvaro estaria numa ‘sinuca de bico’ e cada vez mais irritado com o ‘cruzar de braços’ do governo federal que tenta, através do ministro das Comunicações, Sérgio Motta (PSDB), ‘dobrá-lo’.
O projeto da dissidência tucana, inconformada com a recusa da filiação de Lerner em maio desse ano, e do PFL, principalmente o estadual, facilita a reeleição do governador e ajuda na acomodação do grupo lernerista. O chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), a vice-governadora Emília Belinati (PDT) e o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes (PFL), estão de olho na vaga do Senado, que também pode ser novamente postulada pelo presidente nacional do PTB, senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB), tido como aliado. Em troca, o presidente da Telepar ficaria com um ministério do governo FHC.
O plano para inviabilizar o futuro de Álvaro Dias, no entanto, pode acabar só com a pré-candidatura ao governo do Estado. O presidente da Telepar estaria disposto a assumir uma candidatura ao Senado ‘independente’, como a de José Eduardo de Andrade Vieira, em 90. Para não se indispor com o presidente da República nem se ver forçado a apoiar a reeleição de Lerner, seu adversário político, Álvaro correria por fora como candidato do PSDB ao Senado.
A obrigatoriedade de deixar a presidência da Telepar - que até agora lhe serviu como mecanismo para autopromoção - também estaria pesando. O ex-governador, que terá de deixar o cargo no dia 2 de abril do ano que vem, já fez diversas críticas à legislação eleitoral em tramitação no Congresso por ‘‘beneficiar o governador Jaime Lerner’’.
‘‘Nem na época da ditadura houve uma lei draconiana como essa. Estão fazendo de tudo para beneficiar a reeleição dos governadores. Pode haver convocação em rede estadual, imagens externas que servem como instrumento de denúncia estão vetadas, e não há mecanismos que impeçam os governadores de manipular a máquina pública’’, declarou Álvaro na última segunda-feira.

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