PFL ameaça romper com o governo
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sábado, 02 de março de 2002
Agência Estado 
Brasília - A invasão pela Polícia Federal (PF) da empresa da qual a governadora Roseana Sarney, do Maranhão, é sócia do marido Jorge Murad aumentou a crise entre o PFL e o PSDB, principais partidos de sustentação política do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os dois já vinham se hostilizando desde a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que vinculou as coligações estaduais à nacional. Agora, o PFL ameaça romper com o governo. Tanto é que o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, admitia que poderá antecipar a sua saída do ministério amanhã.
O grupo de Roseana, liderado pelo senador José Sarney (PMDB-AP), com o apoio de líderes importantes do PFL, como o deputado Inocêncio Oliveira (PE), e o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA), prega a saída imediata de seus ministros do governo de Fernando Henrique.
Os pefelistas vinculam a operação comandada pela PF e autorizada pela Justiça Federal de Tocantins a uma tentativa do PSDB e de integrantes do governo Fernando Henrique, como o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, de desestabilizar a candidatura da governadora, que nas últimas pesquisas empata tecnicamente com o petista Luiz Inácio Lula da Silva.
A própria governadora tem afirmado que os tucanos estão desesperados. Em declaração dada anteonteontem, ela chegou a dizer que a invasão à sua empresa foi mais violenta do que as praticadas durante o regime militar.
A crise é tamanha que o presidente nacional do PFL, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC), está pedindo calma a todos, embora afirme que a invasão foi absurda, com evidente intuito poítico de prejudicar a imagem da governadora Roseana Sarney.
Enquanto Bornhausen pede tranquilidade aos aliados para conter o agravamento da crise, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães defende a radicalização. Ele sugeriu a Sarney Filho que nem entre no ministério na segunda-feira. É uma questão de brio, disse ACM.
A apreensão de documentos nos escritórios de Murad, ocorrido na sexta-feira, pode estar relacionada com investigações que a PF e o Ministério Público Federal estão fazendo em torno do projeto Nova Holanda, financiado pela Sudam e suspeito de fraudes. Os investigadores querem saber se há envolvimento de Murad com o empreendimento.


