Marcelo AlmeidaEntusiasmoO governador Jaime Lerner ganhou apoio de outros partidos ontem na Convenção Estadual do PFLO governador Jaime Lerner (PFL) saiu fortalecido das convenções estaduais do PTB e PFL, ontem à tarde em Curitiba. Lerner conseguiu garantir apoio formal dos partidos à sua releeição e deixar em suspense até amanhã a chapa majoritária que vai concorrer às eleições de outubro. Acompanhando passo a passo os movimentos do ex-governador Álvaro Dias (PSDB), considerado seu maior adversário na briga pelo Palácio Iguaçu, Lerner vai esperar a manifestação oficial dos tucanos, aguardada para hoje à tarde, para fechar de uma vez sua chapa.
Depois de encontros sigilosos com diversas lideranças, durante todo o dia, o governador, com a ajuda do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, e do ex-prefeito Saul Raiz, conseguiu fazer com que o presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Aníbal Khury (PFL), recuasse da idéia de colocar em votação a chapa Lerner para governo; ex-governador Paulo Pimentel para vice; e a vice-governadora Emília Belinati para o Senado. De acordo com o aval dado pelos convencionais, os nomes da chapa, agora, serão definidos pelas executivas estaduais do PFL e PTB.
‘‘A intenção é ampliar a aliança ao máximo para que possamos criar condições ideais para a reeleição do presidente Fernando Henrique’’, justificou o governador. Lerner deu a entender que o resultado dos encontros do PTB e PFL foi uma ‘‘sinalização’’ ao PSDB e que ele espera que o gesto ‘‘seja entendido’’. ‘‘Isso não quer dizer que as lideranças internas não podem manifestar suas vontades’’, observou. Perguntado sobre o arranjo costurado pelo Palácio do Planalto na montagem de uma fórmula que acomode PFL e PSDB no Estado, Lerner resumiu que não poderia ser ‘‘mais explícito’’ e que o momento é de aguardar.
A convenção do PTB teve o cuidado de tirar indicativo que coloca Emília Belinati como postulante ao Senado, caso a intenção de Brasília em evitar o confronto eleitoral entre Álvaro e Lerner não se concretize. A manifestação foi votada, mas no entanto, não tem valor legal porque a ata ficou em aberto e Lerner empenhou-se ontem para manter Emília como vice, o que por consequente faria o PTB e PFL abrir mão da disputa ao Senado. O governador fez um apelo a vice, que ficou de aguardar os desdobramentos de hoje e amanhã para se posicionar.
Aliados mais chegados a Lerner garantem que o governador está disposto a cumprir a orientação dos articuladores nacionais da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), desde que Álvaro cumpra a sua parte e hoje anuncie que vai concorrer ao Senado e que o PSDB não lançará nenhum candidato ao governo.
Outra vitória parcial de Lerner foi o discurso do ex-governador Paulo Pimentel (PFL), durante o desfecho da convenção do PFL. Pimentel disse que se ‘‘receber o cartão vermelho’’ continua apoiando Lerner na reeleição. ‘‘Mas só recuo de concorrer a vice se o Aníbal (Khury) me pedir. Foi ele que me inventou’’, condicionou o ex-governador, referindo-se ao apoio político recebido do deputado na sua eleição, na década de 60.
Aníbal Khury deixou claro que a sua disposição em dar tempo ao governador, que é seu aliado, é temporária. ‘‘Continuo sendo contra qualquer acordo branco com o PSDB. Ou os tucanos fazem aliança formal aderindo à reeleição de Lerner ou nada feito’’, declarou.

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