O PFL adiou para o dia 13, véspera da eleição dos futuros presidentes da Câmara e Senado, a reunião da bancada de senadores que definirá a posição sobre a sucessão do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Com problemas internos, agravados com a intransigência do candidato do partido à presidência da Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), a direção do PFL espera que, com mais tempo, possa encontrar uma solução que una o partido e não o distancie do governo.
A reunião da Executiva Nacional do PFL marcada para hoje foi cancelada. Reunidos ontem, no Palácio do Jaburu, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e ACM decidiram com o anfitrião, o vice-presidente Marco Maciel, ganhar mais tempo em busca de uma alternativa para derrotar o candidato a presidente do Senado Jader Barbalho (PMDB-PA) sem ter de cair nos braços do candidato da oposição.
A aliança com o bloco de oposição ainda foi tentada por ACM, que, antes da reunião, teve um encontro com o senador Jefferson Péres (PDT-AM). Mas não houve eco entre os correligionários dele.
A busca do equilíbrio é o tom da conversa que Bornhausen teve com Inocêncio. A idéia é evitar mais danos ao partido e convencer o líder a adotar uma postura menos radical nestas duas semanas que antecedem a eleição para as presidências da Câmara e Senado. O líder pefelista, por exemplo, quer votar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita o uso de medidas provisórias pelo governo.
Inocêncio considera-se comprometido com setores da Câmara, instalados dentro e fora da oposição, e isso está irritando o Palácio do Planalto, que não deseja a votação da PEC. Mas, por outro lado, líderes pefelistas estão inconformados com a interpretação segundo a qual a culpa dessa votação recairia sobre o PFL. Eles lembram que quando a matéria foi aprovada pelo Senado, com o apoio do PSDB e PMDB, apenas dois senadores votaram contra: Bornhausen e Gerson Camata (PMDB-ES). Naquela ocasião, o líder do governo, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), afirmava para os colegas. ‘‘A gente aprova aqui (Senado) e a derruba na Câmara.’’
O adiamento da decisão do PFL sobre o apoio ou não ao candidato do bloco oposicionista, senador Jefferson Péres, reforça o PT a lançar candidatura própria à presidência da Câmara. ‘‘Não havendo um compromisso da bancada do PFL no Senado em apoiar o senador Péres, o PT deverá indicar candidato próprio’’, informou o líder do partido, deputado Aloizio Mercadante (SP).
A reunião da bancada petista está marcada para hoje à tarde. Se o PT optar pela candidatura própria, Mercadante afirmou que contará com o apoio do PDT e PC do B que, em reunião conjunta na semana passada, decidiram assumir o mesmo caminho, caso o PFL do Senado não apoiasse Peres.
Mercadante está confiante também na possibilidade de o PSB vir a rediscutir o apoio ao deputado Aécio Neves (PSDB-MG) se a oposição resolver pela candidatura própria.

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