PF vai pedir quebra de sigilo de bancos
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sexta-feira, 25 de julho de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
O delegado federal Matheus Casado Martins vai pedir à Justiça a quebra do sigilo bancário e fiscal de todas as instituições financeiras envolvidas no escândalo dos precatórios e que foram citadas nos depoimentos de pessoas que estão sob a investigação da Polícia Federal no Rio. O delegado preside seis inquéritos para apurar crimes de sonegação fiscal cometidos durante as negociações com os títulos emitidos para o pagamento de precatórios judiciais.
Estão sendo investigados os donos do Banco Vetor, Fábio Nahoum e Ronaldo Ganon; o diretor de operações do Bradesco, Katsumi Kihara; os donos do Banco Maxi-Divisa, Galdino Faria Alvim Neto e Genival de Almeida Santos Filho e o ex-secretário de Fazenda de Alagoas José Pereira de Souza. Ontem, o delegado ouviu o depoimento de Katsumi Kihara. Apenas neste depoimento, Kihara citou a corretora Paper, o Banco Multiplic, a Lucro DTVM, o Banco Arbi, Olimpia DTVM e a Lobby DTVM.
Segundo o diretor do banco, estas são algumas das instituições com quem o Bradesco negociou títulos públicos estaduais e municipais. Martins irá pedir a quebra de sigilo destas empresas, conforme informou ontem a assessoria de imprensa da Polícia Federal. Além das empresas citadas na PF, deverão ter seu sigilo quebrado - caso a Justiça aprove o pedido do delegado - as instituições citadas pelos investigados em depoimento na CPI dos Títulos Públicos. Casado Martins recebeu as notas taquigráficas destes depoimentos da CPI.
A quebra do sigilo bancário deverá ser solicitada ao Banco Central e a do fiscal, à Receita Federal. O delegado quer informações sobre as empresas referentes ao recolhimento de tributos e ganhos de capital sobre operações com títulos públicos.
Bradesco O diretor do Bradesco Katsumi Kihara repudiou, durante o depoimento, qualquer afirmação no sentido de que tenha havido irregularidade cometida pelo banco. Segundo ele, o Bradesco, quando recebia oferta de títulos, desconhecia o início das operações. O banco, de acordo com seu diretor, examinava a credibilidade e a rentabilidade do papel, desconhecendo a sua causa de emissão. Já que, ainda de acordo com Kihara, papéis não valem por isso. Para o Bradesco as operações não eram casadas, disse Kihara ao delegado federal. O banco, de acordo com dados divulgados pela CPI, foi comprador de R$ 239,5 milhões em títulos dos Estados de Pernambuco e Santa Catarina e da prefeitura de Osasco.


