PF vai ouvir Dilma sobre dossiê dos gastos de FHC
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terça-feira, 22 de abril de 2008
Renata Giraldi e Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - A Polícia Federal (PF) se prepara para tomar o depoimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) até meados de maio no inquérito que apura o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A reportagem apurou que a idéia é ouvir a ministra como testemunha e não indiciada ou suspeita do vazamento de informações sigilosas referentes ao uso de cartões corporativos e contas ''B'' durante a gestão do ex-presidente. Ontem, a base aliada do governo no Senado derrubou novo requerimento de convocação de Dilma, o que levou o presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), a afirmar que ''está havendo excesso de proteção à ministra''.
Garibaldi acusou o governo de agir com ''paternalismo'' para proteger Dilma, por ela ser considerada ''a mãe do PAC'', e disse que ela vai depor de qualquer jeito porque há muitos requerimentos nesse sentido. ''Acho que está havendo excesso de proteção à ministra. A ministra é a mãe do PAC e agora está havendo um paternalismo muito grande em torno dela como se não pudesse dizer alguma coisa'', disse Garibaldi.
Oficialmente, a PF nega que pretenda ouvir a ministra ou que qualquer depoimento de envolvidos no caso seja cogitado pelo delegado responsável pelo inquérito, Sérgio Menezes. Por Dilma ocupar um cargo de confiança no primeiro escalão do governo, terá direito a escolher dia, horário e local que quer prestar esclarecimentos. Parlamentares afirmam que a ministra não deverá se furtar a dar o depoimento.
Em nome da credibilidade da instituição, policiais federais que acompanham as investigações sobre o dossiê não pretendem limitar as investigações no inquérito - como chegou a ser proposto pelo governo. Interlocutores da PF afirmam que a idéia é apurar, além do vazamento de informações que deu origem ao dossiê, quem são os responsáveis e quais os objetivos da realização do levantamento de dados da Casa Civil com informações sobre gastos da gestão FHC.
Nas investigações, os policiais afirmam não haver dúvidas de que se trata de um dossiê e não de um banco de dados, como informam alguns integrantes do governo. A principal diferença entre os tipos de documentos, segundo os investigadores, é que dossiê tem um foco definido em determinadas situações, enquanto o banco de dados seria um levantamento mais amplo dos gastos.
Antes de ir à PF, a ministra prestará depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, no dia 30 de abril, quando oficialmente prestará esclarecimentos sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).


