O delegado Sandro Roberto Viana dos Santos, da Polícia Federal (PF) de Londrina, disse ontem que pretende investigar o pagamento de R$ 19,9 milhões feito pela Copel ao banco FonteCindam, em maio de 1998. O valor é referente a uma dívida da prefeitura quitada pela estatal como parte do pagamento de 45% das ações da Sercomtel. Apenas um mês antes da venda das ações, o FonteCindam negociou com um banco uruguaio os direitos da mesma dívida da prefeitura.
‘‘Ainda estou estudando o caso mas até agora não sabia que o dinheiro do FonteCindam foi remetido para o exterior’’, comentou o delegado, que deverá instaurar inquérito para apurar a venda das ações e a chamada conexão Uruguai na segunda-feira.
O pedido de abertura de inquérito foi encaminhado na semana passada pela Procuradoria da República. O processo conta com 12 volumes e 1,5 mil páginas de documentos. O delegado disse que já analisou a metade do material e, caso a informação da chamada conexão Uruguai não constar dos documentos, pretende pedir detalhes à Receita Federal.
Inicialmente, a investigação foi determinada pela Justiça Federal a partir de um pedido do diretório do PSDB de Londrina. O partido queria saber o motivo da dívida contraída pela prefeitura junto ao FonteCindam e Banco Financeiro e Industrial de Investimentos (BFII) ter saltado, em menos de dois anos, de R$ 21 milhões para quase R$ 40 milhões.
‘‘Alguns consideravam esse contrato de caucionamento um ‘mico’ para o FonteCindam. Mas o mico, da noite para o dia, virou um lucro fabuloso’’, lembrou ontem o presidente da Câmara Municipal, Tercílio Turini (PSDB), que foi relator no ano passado de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o caso.
Turini disse que os vereadores nunca foram informados de que parte do dinheiro foi remetido para o exterior. ‘‘Sabíamos apenas que o dinheiro da venda das ações sustentou as licitações fraudulentas da prefeitura.’’ Ele observou que uma das críticas apontadas pela CEI foi a prefeitura não ter recebido integralmente os R$ 186 milhões das ações. ‘‘O município poderia ter recebido e negociado com os credores. Mas preferiu usar a Copel e a dívida com os bancos dobrou num período sem inflação’’
Além da PF, a Receita Federal abriu uma auditoria para investigar a remessa do valor pago pela Copel ao FonteCindam.

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