São Luís - A Polícia Federal (PF) do Maranhão informou ontem que a ex-governadora e presidenciável Roseana Sarney (PFL) vai ser novamente intimada a depor no inquérito que apura fraudes na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e que vai falar ‘‘no dia, hora e local marcados pela própria PF’’.
A declaração é do superintendente da PF no Estado, Augusto Serra Pinto, e tem por objetivo rebater as afirmações de que houve um ‘‘acordo de cavalheiros’’ para que Roseana depusesse quando e onde quisesse -o que seria uma forma de amenizar a crise política criada com a tentativa de intimação da ex-governadora (ela se recusou a assinar a convocação) ocorrida no último domingo.
A reportagem apurou, porém, que houve um entendimento para que a PF não seguisse à risca os prazos do inquérito. O advogado da ex-governadora, Antônio Carlos de Almeida Castro, confirmou que houve um acordo para que nova data para o depoimento fosse marcada.
A investigação faz parte do inquérito da PF que apura o caso Usimar, projeto da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) que causou um rombo de R$ 44 milhões aos cofres públicos, mas que nunca saiu do papel.
Além de Roseana, o marido dela, Jorge Murad, e pelo menos outras 38 pessoas –entre elas, o ex-governador do Mato Grosso Dante de Oliveira (PSDB)– são investigadas sob suspeita de contribuírem para a aprovação do projeto mesmo tendo ciência de suas irregularidades.
O caso já resultou, na área cível, em um processo judicial por improbidade administrativa contra 40 pessoas.
MuradSerra Pinto disse também que, para a PF, o fato de o marido de Roseana, Jorge Murad, ter sido nomeado para uma secretaria de Estado no Maranhão não lhe dá foro privilegiado na fase pré-processual, quando ainda há apenas o inquérito. Ele afirmou que o secretário só terá o direito de escolher hora e local para ser ouvido.
Apesar de ter sido nomeado secretário extraordinário de Ciência e Tecnologia na sexta-feira, dia da desincompatibilização de Roseana, Murad não apareceu ontem na primeira reunião do novo secretariado do governo de José Reinaldo Tavares (PFL), que assumiu o posto da pefelista.

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