Brasília - O inquérito da Polícia Federal sobre o escândalo das escutas telefônicas na Bahia entra nesta semana em sua fase decisiva. Pelo menos mais seis pessoas devem ser indiciadas nos próximos dias pela participação no esquema de grampo que gravou, de forma ilegal, as conversas de 132 cidadãos, entre eles os deputados Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Nelson Peregrino (PT-BA). Uma das pessoas que podem ser indiciadas por operar as escutas clandestinas é a delegada Kátia Alves, aliada do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), a quem deve a indicação para o cargo de secretária de Segurança Pública. Uma retribuição por ter esclarecido um assalto ao apartamento do parlamentar.
Investigadores que trabalham no caso julgam estar muito perto de chegar ao mandante dos grampos, mas, pelos depoimentos colhidos até agora e em função de novos indícios que surgiram durante a apuração, quase ninguém duvida que tudo foi feito com o conhecimento de ACM. ''Existem pontos que resvalam no senador'', diz o procurador da República na Bahia, Edson Abdon Filho, que não revela quais os indícios que foram colhidos até agora. ''Só teremos convicção de que ele é envolvido ou não, depois de ouví-lo'', diz o delegado federal Gesival Gomes dos Santos, responsável pelo inquérito.
O principal elo de ACM com esquema é Kátia Alves, hoje diretora administrativa da empresa de saneamento da Bahia, uma mulher que pouco fala e se tornou muito próxima do senador, a ponto de visitá-lo na sede do ''Correio da Bahia'', o jornal da família Magalhães. ''Infelizmente Kátia transformou a secretaria em um braço armado do carlismo'', diz a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA).
Conhecida como ''dama de ferro'' pelo poder que ganhou quando esteve à frente da polícia baiana, Kátia Alves chegou a ser uma das autoridades mais poderosas do governo do hoje senador César Borges (PFL-BA), principalmente depois que prendeu o principal assaltante do apartamento de ACM. ''Ela foi ao encontro do senador e lhe pediu que fosse nomeada secretária, fato que se confirmou posteriormente'', contou a advogada Adriana Barreto, ex-namorada de ACM. ''A secretária chegou ao posto por ter esclarecido o furto na casa do senador'', reafirmou Alan Farias, um dos principais assessores da ex-secretária.

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