A Procuradoria da República em Cascavel determinou ontem a instauração de inquérito na Polícia Federal para apurar supostas fraudes na liberação e desvio de verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A denúncia foi feita ontem pela reitora afastada da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Liana Fuga. Ela apresentou na procuradoria uma denúncia-crime acusando professores, funcionários da instituição, pessoas ligadas ao governo do Estado e políticos de envolvimento em esquema de fraude.
Liana e seus advogados Sérgio Zandoná e Yves Cordeiro apresentaram detalhes de como funcionaria o esquema. Ela disse que desde que assumiu o cargo, em dezembro de 1999, vinha sofrendo pressões para facilitar ‘‘transações’’ dentro da Unioeste, mas que nunca teria aceitado.
O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima divulgou no final da tarde uma nota oficial mencionando que, ‘‘após análise da referida notícia criminal, chegou-se à conclusão que os fatos narrados são de extrema gravidade, merecendo que se inicie imediatamente as investigações para sua comprovação’’.
Liana declarou que, ao assumir a reitoria, teve uma reunião com a chefe regional da Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), Gema Fontana. ‘‘(Ela) me disse que todos os anos a universidade recebia verbas do FAT e que todos os projetos passavam por ela. Ela sugeriu que poderíamos fazer alguns projetos conjuntos e faturar alguma grana particular.’’
Liana disse que durante o desenvolvimento dos projetos do FAT ‘‘houve tentativas de ingerência por parte da Dona Gema Fontana, que insistia em receber os cheques do setor financeiro, causando transtornos’’.
Ainda de acordo com Liana, em maio deste ano, ela foi chamada para uma reunião com Gema Fontana e o irmão dela, Fernando Fontana, suplente de vereador em Cascavel. O convite teria partido do professor Paulo Roberto Chavarria Nogueira (atual responsável pela coordenação do FAT na Unioeste) e do diretor do câmpus de Cascavel, Paulo Wolff.
‘‘Eles disseram que se não comparecesse à reunião haveria dificuldades nas aprovações de projetos, sendo que o montante previsto para este ano era de R$ 2,7 milhões’’, afirmou Liana. Ela relatou que, durante a reunião, Gema teria feito ameaças. ‘‘Você prejudicou o meu irmão que te ajudou na campanha para a reitoria. Não deu para ele o cargo de assessor de comunicação e nem a chefia de gabinete. Está tudo armado e você vai cair.’’
Segundo Liana, na mesma reunião realizada na sede da Sert, Gema declarou: ‘‘Não está nada acertado, pode vir do FAT um valor próximo de R$ 2,5 milhões. E nós queremos pelo menos R$ 1 milhão.’’ A denunciante disse ter provas documentais dessa reunião.
Alguns dias depois, o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, determinou o afastamento de Liana. Ela é acusada de participar de fraude em um concurso público, realizado em fevereiro deste ano, no campus da cidade de Francisco Beltrão.

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