Brasília - A Polícia Federal (PF) recorreu ao auxílio de um georradar, cedido pela Universidade de Brasília (UnB), para tentar localizar parte dos arquivos do Departamento de Operações e Informações (DOI) e do Centro de Operações e Defesa Interna (Codi), que o ex-cabo do Exército Valdete Miranda dos Santos diz ter enterrado dentro do terreno da Superintendência da PF no Distrito Federal, em Brasília. Desenvolvido na Itália, o equipamento tem a capacidade de ''enxergar'' através do solo até uma profundidade de 3 metros, varrendo uma área de 30 metros quadrados e produzindo imagens semelhantes às de um aparelho de tomografia computadorizada.
A ajuda foi pedida após dois dias de buscas frustradas para encontrar o material, numa área de 4 metros quadrados apontada pelo ex-cabo. Santos definiu-se como um ''torturador arrependido'' e revelou detalhes da participação na repressão política, em entrevista ao jornal ''Correio Braziliense''. Pela descrição do ex-militar, os malotes, embalados em sacos de lixo e enterrados a 1 metro de profundidade, conteriam documentos, fotos de torturados antes e depois dos suplícios e dados sobre a repressão a inimigos do regime militar, incluindo os codinomes.
Responsável pela guarda dos documentos sobre a atuação do DOI-Codi em Brasília, no período de 1982 a 1992, Santos revelou, em depoimento ao Ministério Público (MP), ter recebido ordens para incinerar todo o material, no fim do governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, mas alegou que, por falta de tempo, optou por enterrar tudo.

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