PF tenta encontrar modo de convocar Thomaz Bastos
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terça-feira, 01 de agosto de 2006
Rosa Costa<br>Agência Estado 
Brasília - A Polícia Federal está tentando descobrir um jeito de ouvir seu próprio chefe, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, no caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo. O episódio já causou a queda do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso e de três assessores.
Com dois meses de atraso, o inquérito, a cujos autos o jornal ''O Estado de S. Paulo'' teve acesso, está inconcluso por causa de alguns pontos obscuros que o Ministério Público Federal insiste em esclarecer. Um deles é a confusa participação de dois assessores de Bastos na violação da conta do caseiro. O relatório final está praticamente pronto, mas a recusa do ministro em depor espontaneamente está deixando de saia justa o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, encarregado do inquérito.
Os assessores são Cláudio Alencar, chefe de gabinete de Bastos e Daniel Goldberg, secretário de Direito Econômico. Eles se reuniram secretamente com Palocci e Mattoso na casa do ministro, às 23hs do dia 16, instantes após a violação do sigilo do caseiro e também duas vezes no dia seguinte, mas esconderam o fato da polícia até serem revelados pela imprensa.
Os dois prestaram depoimento sorrateiro em 2 de abril, um domingo, quase três semanas após o episódio, longe da imprensa. Eles disseram que Palocci queria saber da possibilidade de acionar a PF para investigar a suspeita de que o caseiro estava recebendo suborno da oposição para atacar o ministro, o que configuraria crimes de lavagem de dinheiro e ofensa à honra.
Mas Goldberg foi contraditório com relação à real participação de Bastos no episódio da quebra do sigilo. A PF informou que, por dever de ofício, o delegado vai consultar o Ministério Público sobre a necessidade de fazer ou não a convocação formal do ministro.
Em caso positivo, o pedido terá de ser decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ouvido o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, porque Bastos, por ser ministro, tem direito a foro privilegiado. Por meio da assessoria, Bastos disse que nunca recebeu nenhum pedido da PF para depor e que se isso ocorrer, irá sem nenhum problema. Ele disse também que enviou ao delegado Gomes cópia do depoimento que prestou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara sobre sua participação nos fatos.
No depoimento, Bastos justifica porque indicou um advogado para defender o colega Palocci quando sua situação ficou insustentável. Afirma também que seus assessores não cometeram nenhum deslize funcional por terem se reunido com Palocci, que lhes queria fazer uma consulta legítima.


