Uma agenda apreendida em abril pela Polícia Federal (PF) comprova que o deputado estadual do Amazonas Mário Frota (PDT) e o empresário David Benayon estiveram em Brasília, no dia 14 de janeiro de 1998, quando teria sido negociado com o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), o pagamento de propina para a liberação de recursos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Além disso, a agenda mostra um novo personagem na história: o contador Geraldo Pinto da Silva. O registro da viagem foi feito por Silva, que prestava assessoria na preparação de projetos. Na semana passada, ele teve o sigilo telefônico quebrado pela Justiça Federal.
Segundo a gravação de uma conversa entre Frota e Benayon divulgada pela revista ‘‘Istoɒ’, Jader teria exigido US$ 5 milhões para ajudar na liberação de recursos da Sudam para dois projetos do empresário. O senador afirma tratar-se de ‘‘uma loucura’’, mas a reunião entre o empresário e o deputado foi confirmada pela PF na agenda de Silva. Lá estão registrados todos os encontros em que ele esteve presente em 1998 e também 1999, em outra agenda.
As duas agendas serão anexadas ao inquérito que a PF deve abrir nos próximos dias para investigar as novas denúncias contra Jader. Por ser detalhista, Silva pode revelar fatos novos para a PF. As agendas registram pagamentos feitos a diversas pessoas, com mínimos detalhes, como dinheiro para o contínuo pegar ônibus. ‘‘Existe uma riqueza de informações muito grande’’, afirma um delegado da PF. Além do contador, a Justiça determinou a quebra de sigilo telefônico de Maria Auxiliadora Barra Martins, que também prestava assessoria a projetos e do empresário José Soares Sobrinho, aliado político de Jader em Altamira (PA).
Nas agendas, há também nomes de outros três políticos de renome nacional, que os investigadores estão mantendo em sigilo. Até agora, a PF não tinha nenhuma informação concreta que pudesse ligar Jader ao escândalo da Sudam, a não ser citações cifradas encontradas na casa do ex-superintendente José Athur Guedes Tourinho. Além disso, em uma das conversas telefônicas gravadas pela PF durante as investigações, há menção a um ‘‘senador’’, durante um encontro em Brasília, mas não há citação de nomes.
Amanhã, a oposição deve apresentar a nova denúncia contra Jader à Mesa do Senado. O caso será encaminhado pelos senadores Paulo Hartung (PPS-ES) e Heloísa Helena (PT-AL). O objetivo é que as acusações sejam apuradas pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e, pode abrir um processo de cassação do mandato de Jader. Heloísa argumentou que o Senado tem a obrigação moral de apurar as acusações. ‘‘As denúncias contra ele são ilícitos penais e, portanto, o titular desse tipo de ação é o Ministério Público’’, disse. ‘‘Mas isso não tira a responsabilidade do conselho.’’
Enquanto surgiam novos fatos que o comprometiam, ontem Jader sumiu novamente – como fez 48 horas antes de licenciar-se da presidência do Senado. Familiares afirmam que ele ainda está no balneário de Salinópolis, onde tem duas casas. Mas ninguém o viu nos últimos dias.

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