PF suspende inquérito sobre Waldomiro Diniz
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quarta-feira, 31 de março de 2004
Das agências 
Brasília - A Polícia Federal suspendeu ontem o inquérito sobre o caso Waldomiro Diniz, ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, enviando a documentação para a Justiça Federal como base para denúncia do Ministério Público Federal (MPF). O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, considerou que a denúncia ''foi feita apressadamente''. ''Nesse caso existe ainda um outro detalhe que precisa ser apurado, que é a denúncia que foi feita apressadamente quando o inquérito não tinha ainda terminado, quando nem sequer a sindicância do Palácio do Planalto tinha sido juntada aos autos e entregue ao promotor de Justiça'', afirmou.
O delegado responsável pela investigação, Antônio César Fernandes Nunes, confirmou que o inquérito foi interrompido antes de sua conclusão. ''O inquérito não foi concluído, resta fazer perícia, resta analisar as quebras de sigilo'', afirmou Nunes. A investigação da PF teve início no dia 13 de fevereiro a pedido de Bastos. O objetivo era investigar a conduta de Waldomiro enquanto exerceu o cargo de subchefe do ministro José Dirceu (Casa Civil). Na segunda-feira, o procurador Marcelo Serra Azul ofereceu uma denúncia de gestão temerária contra a diretoria da Caixa Econômica Federal e Waldomiro. Com a denúncia à Justiça, o inquérito fica suspenso.
Na mesma denúncia, Serra Azul pede o perdão judicial para o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O pedido foi questionado pelo ministro da Justiça, após a divulgação de uma conversa de Cachoeira com o subprocurador-geral da República, José Roberto Santoro. No diálogo, Santoro insiste para obter do empresário uma fita de vídeo que compromete Waldomiro Diniz. ''Saiu uma denúncia na qual, estranhamente, se propõe o perdão judicial ao sr. Carlos Cachoeira. Por quê? Porque ele teria colaborado espontaneamente?'', disse Bastos.
Zé Dirceu - Líderes políticos ligados ao governo avaliaram que o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, ganhou um pouco de fôlego na sua luta contra o Ministério Público (MP) depois que o Jornal Nacional divulgou, anteontem à noite, a conversa do subprocurador da República José Roberto Santoro com o empresário Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A oposição, no entanto, acusou o governo de perseguir o MP e voltou a pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso.
''Não há dúvidas de que José Dirceu saiu ganhando, porque o procurador da República que o estava atazanando está fora de combate. Para mim, o Santoro foi o Waldomiro Diniz do Ministério Público'', disse o deputado Paulo Bernardo (PR), vice-líder do PT. ''Infelizmente para o Ministério Público, para a credibilidade da instituição, o Santoro marcou um gol contra.''
O líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), contestou Paulo Bernardo e outros governistas que defenderam José Dirceu. Ele divulgou um ''pente fino'' que sua assessoria fez nos resultados da comissão de sindicância do Planalto, aberta para investigar a atuação de Waldomiro. Dos 20 servidores chamados perante a sindicância, 19 eram subordinados de Waldomiro, acusou Aleluia.


