PF retoma investigações do caso Waldomiro Diniz
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segunda-feira, 12 de julho de 2004
Agência Estado 
Brasília - A Polícia Federal (PF) retoma hoje as investigações do caso Waldomiro Diniz, paralisadas há mais de três meses por causa de falhas na denúncia feita à justiça pelo Ministério Público (MP), considerada precipitada. O delegado Antônio César Nunes, que comandou a primeira fase das apurações, interrompidas em 30 de março, reassumiu o inquérito e expedirá os primeiros atos esta semana.
O primeiro convocado a depor deverá ser o consultor Rogério Buratti - ex-secretário de Governo (1993) na prefeitura de Ribeirão Preto (SP) na gestão de Antonio Palocci, hoje ministro da Fazenda de Lula. Buratti foi indicado por Diniz para auxiliar a multinacional Gtech a renovar um contrato superfaturado com a Caixa Econômica Federal (CEF), de operação da rede de loterias no País. Assinado em 1997 e prorrogado quatro vezes de forma irregular, o contrato foi renovado pela última vez em abril de 2003, pelo governo, por um prazo de 25 anos e renderá à empresa R$ 650 milhões em comissão, apesar de pareceres contrários da consultoria jurídica da Caixa e do Tribunal de Contas da União (TCU).
Buratti teria cobrado uma propina entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões pela ajuda à Gtech, conforme as investigações. Também será convocada a depor a servidora Ana Cristina Moraes Sena, chefe de gabinete do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil no período em que ele trabalhou no Palácio do Planalto. Ana Cristina foi responsabilizada em sindicância pelo sumiço das agendas dos encontros em que Diniz teria praticado tráfico de influência.
Subchefe de Assuntos Parlamentares desde janeiro de 2003, Diniz foi afastado do cargo em 13 de fevereiro de 2004, após a divulgação, pela revista ''Época'', de uma fita de vídeo em que, supostamente, negocia com o empresário Carlos Ramos, o ''Carlinhos Cachoeira'', propina para si e doações de campanha a candidatos petistas. A fita foi gravada em 2002, quando Diniz dirigia a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), na administração da ex-governadora Benedita da Silva (PT), que também foi ministra de Assistência e Promoção Social.


