PF recebe rádio usado na escuta
A Polícia Federal em Curitiba recebeu ontem, da assessoria jurídica do Banestado, pedido de abertura de inquérito para investigar a responsabilidade pela instalação de um rádio transmissor sob a mesa da sala da diretoria do Banco na sede do bairro Santa Cândida. O aparelho foi encontrado na segunda-feira. Segundo o presidente do Banestado, Manoel Campinha Garcia Cid, o equipamento funcionava a pilha e alcançava 50 metros, o que, segundo ele, previa a escuta dentro do banco ou em frente à sede. O rádio estava sintonizado em Frequência Modulada (FM) - 99,7 Mhz.
Neco Garcia havia dito à Folha, na segunda-feira, que já tinha encaminhado o aparelho para perícia no Instituto de Criminalística do Estado, que não foi requisitado para analisar o equipamento. Ontem o rádio foi levado à PF junto com o pedido de abertura de inquérito. Fomos orientados pelo pessoal do banco que o correto seria encaminhar para a Polícia Federal porque se trata de crime contra a atividade financeira, que é um crime federal, justificou Neco.
Ele admitiu, porém, que a perícia pode ser prejudicada porque várias pessoas colocaram a mão no aparelho, que poderá passar por uma análise das impressões digitais. Inclusive ontem (anteontem) nossa secretária aqui tirou do plástico e pegou.
O delegado regional da PF em Curitiba, Luiz Melzer, disse ontem que o pedido para instauração do inquérito será analisado pela Corregedoria. Ele não quis adiantar detalhes. É muito difícil fazer qualquer avaliação sem conhecer o teor do documento. O pedido de abertura de inquérito tem três páginas. Melzer disse que o caso não tem relação com o grampo telefônico que a PF investiga no caso nacional do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O governador Jaime Lerner (PFL) criticou ontem a existência da escuta eletrônica no Banestado. As gravações caracterizam má intenção que exige medidas policiais, afirmou. Questionado por repórteres em Curitiba se o senador Roberto Requião (PMDB) poderia estar por trás do episódio, Lerner afirmou: Acho que o presidente do Banestado tem mais dados sobre isso do que eu. Não é a primeira vez que esse senador faz uso de gravações ilegais.
Neco Garcia disse ontem à Folha que não pode desconfiar de Requião. Mas ele tem veiculado informações sobre o Banestado obtidas de forma criminosa. O que, na minha avaliação, é ilegal, afirmou, referindo-se à divulgação das atas da diretoria do Banestado que o senador colocou na Internet e agora imprimiu no Diário do Senado. Em entrevista anteontem à Folha, Requião classificou a escuta no Banestado de ridícula. Ontem, Neco rebateu. O negócio é sério, garantiu. (Colaborou James Alberti)Cesar AugustoDemoraNeco Garcia: Fomos orientados pelo pessoal do banco que o correto seria encaminhar para a PFPatrícia Zanin





