Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, entrega hoje os autos do inquérito do ''mensalão'' para a Polícia Federal fazer perícia e identificar todos os sacadores das contas do empresário Marcos Valério de Souza no Banco Rural. A lista, que pode chegar a 120 pessoas ou mais, pode ser o elo perdido para explicar se existiu o ''mensalão'', pago a parlamentares em troca de apoio ao governo, como denunciou o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), ou se se trata de um esquema de financiamento de caixa dois para pagamento de despesas de campanha do PT e dos partidos da base aliada.
O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, deu um prazo de 15 dias para a PF periciar toda a documentação enviada pelo banco, fazer a identificação precisa de cada um dos sacadores e esclarecer se eles estavam a serviço de algum parlamentar ou partido político. A análise desses dados é fundamental também para o Congresso Nacional definir o rol de cassações de mandato por quebra de decoro. Até agora, as investigações já envolveram dez parlamentares nas denúncias, mas a lista pode chegar a 15 ou mais, conforme acreditam membros das CPIs dos Correios e do Mensalão.
O material a ser periciado provém do arquivo morto do Rural e é considerado o ''mapa da mina'' para esclarecimento do ''mensalão''. Quando o escândalo estourou, há um mês, o banco transferiu toda a documentação dos saques existente na sua sede e na agência de Brasília para uma dependência na periferia de Belo Horizonte. Ouvido pela PF e pelo Ministério Público, o tesoureiro do banco, José Francisco Rego, revelou o paradeiro dos papéis, que contém os números de identidade e rubricas dos sacadores, além dos nomes por extenso de alguns.

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