PF quer prazo para apurar denúncia no caso Paolicchi
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sexta-feira, 05 de janeiro de 2001
Marta Medeiros Especial para a Folha De Maringá 
O delegado da Polícia Federal (PF) de Maringá, Beno Loewenstein, responsável pelo inquérito que apura o vazamento de declarações feitas à Justiça Federal pelo ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi, disse ontem à Folha que vai pedir mais 30 dias para concluir os trabalhos. O inquérito foi aberto no dia 13 de dezembro a pedido do juiz criminal Anderson Furlan Freire da Silva, que alega segredo de Justiça para o caso.
As declarações de Paolicchi foram prestadas durante interrogatório na Justiça Federal no dia 12 de dezembro, cinco dias depois do ex-secretário ter sido preso pela PF em Florianópolis (SC). Apesar do caráter sigiloso, dois jornais conseguiram ter acesso às informações e divulgaram o teor das respostas de Paolicchi dadas para o juiz Anderson da Silva.
Durante o inquérito, o delegado pretende ouvir também dois jornalistas que publicaram as respostas do ex-secretário e todas as pessoas que estavam na sala de audiências. Além do pessoal da Justiça, estavam presentes agentes da própria PF, e os advogados de defesa de Paolicchi e de três servidores da Prefeitura de Maringá que também respondem ao processo por envolvimento nos golpes nos cofres municipais praticados pelo ex-secretário preso.
O delegado não quis falar quem ele já ouviu no inquérito. Afirmou apenas que ainda não intimou os dois jornalistas (Paulo Pupim, de O Diário do Norte do Paraná e Antonio Carlos Moretti, de O Estado do Paraná). Não costumo dar nenhum tipo de informação sobre inquéritos de minha responsabilidade ou sobre as minhas investigações, ponderou Loewenstein. Ele disse ainda que depende de informações da Justiça Federal, que entrou em recesso no dia 18 de dezembro e retorna às atividades na próxima segunda-feira.
Quando foi preso, Paolicchi já estava há quase dois meses foragido. Ele responde na Justiça Federal por peculato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Na Justiça comum, Paolicchi responde junto com o ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido) a uma ação por improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público. Ele está preso no quartel da PM em Maringá.
Neste caso, o MP investiga o desvio de mais de R$ 3 milhões, mas segundo a própria promotoria, o valor já foi amplamente ultrapassado. Só uma auditoria do Tribunal de Contas do Paraná (TC) nas contas dos últimos três da prefeitura constatou um rombo superior a R$ 36 milhões. O TC ainda não concluiu o relatório sobre os levantamentos.
Os desvios atribuídos a Paolicchi, no entanto, podem alcançar R$ 100 milhões, segundo fontes da Folha, considerando o tipo de vida que o ex-secretário levava e seu vasto patrimônio. Antes de ser apanhado, Paolicchi fez transferências de imóveis para amigos.


