Rio - O ex-secretário nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares será chamado pela Polícia Federal (PF) do Rio para detalhar todas as informações que tem sobre o suposto envolvimento do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz num esquema de arrecadação de propina dos bingos, quando presidiu a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Soares disse ontem, em entrevista à página América On-Line (AOL) na internet, que, em 2002, foi informado de que Diniz recebia R$ 300 mil por mês em gratificações pagas pelas casas de jogos do Estado.
O ex-secretário nacional de Segurança Pública foi candidato a vice-governador do Rio na chapa da ex-ministra de Assistência e Promoção Social Benedita da Silva, que tentava a reeleição como governadora. Soares disse ter alertado o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, na época, coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci. O ex-secretário nacional de Segurança revela ainda ter contado a Benedita, que chorou muito, segundo ele, mas não afastou o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil da presidência da Loterj, cargo que ocupava desde fevereiro de 2001, no governo do atual secretário de Segurança Pública do Estado, Anthony Garotinho.
Soares afirmou que foi procurado por um homem que propôs montar um esquema de recebimento de retribuições que seria mais eficiente do que o montado por Diniz na Loterj. Foi assim que soube da corrupção nos estabelecimentos de bingos. Na entrevista ao AOL, o ex-secretário nacional repete as palavras do interlocutor: ''Veja, por exemplo, o Waldomiro Diniz. Ele está aqui num esquema, levantando R$ 300 mil por mês dos bingos. Ele está sendo incompetente. É possível chegar a R$ 500 mil, quem sabe. Dá para produzir mais.'' Na entrevista, Soares diz que se encontrou com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, na época presidente nacional do PT, durante uma reunião de Lula com intelectuais e artistas no Rio.
Segundo o ex-secretário, Dirceu reclamou por ele ''criar dificuldades'' para a campanha da ex-secretária de Assistência e Promoção Social. ''Sentamos lado a lado, na primeira fila. Nós nos conhecíamos muito superficialmente; então, nos cumprimentamos, formalmente, e ele me dirigiu poucas frases: 'Soube que você anda criando dificuldades para nós no Rio de Janeiro.' Eu apenas disse: 'As coisas estão muito complicadas.' Ele respondeu: 'Nosso papel é descomplicar.' Eu disse: 'Às vezes, não é possível.' A conversa parou aí.'', disse ao AOL.
Soares ressalva que a reclamação do chefe da Casa Civil ''não significa, necessariamente, que ele estivesse me vendo como obstáculo para eventuais esquemas''. O ex-secretário diz que Dirceu também poderia estar reclamando porque ele insistia em fazer uma auditoria nas contas do governo Garotinho, o que o partido não queria.
Segundo Soares, a direção nacional petista tinha um acordo de sacrificar a campanha de Benedita em troca do apoio do atual secretário de Segurança Pública do Estado do Rio ao atual presidente no segundo turno da eleição presidencial.
Responsável pela investigação de irregularidades em 21 bingos do Estado, o delegado Hebert Reis Mesquita, da PF, disse ontem que quer ouvir o ex-secretário para, na hipótese de ele confirmar as declarações, novas denúncias contra Diniz poderem ser formalizadas. O ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil é investigado por corrupção, prevaricação e concussão no inquérito conduzido por Mesquita.
Soares não revela a indentidade do homem. Diz que o interlocutor se ofereceu para organizar um esquema que renderia ''em torno de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões'' nos nove meses da administração de Benedita.

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