Brasília - O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) deve ser intimado a depor à Polícia Federal (PF) antes de deixar Brasília. O delegado Rodrigo Carneiros Gomes quer agilizar a convocação. Ele é responsável pela investigação que apura a quebra ilegal de sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo. Antes de ouvir Palocci, o delegado pretende, entretanto, colher provas para sustentar os questionamentos que fará ao ex-ministro.
O delegado considera que Palocci pode se recusar a falar ou negar ter participado do caso no depoimento à PF. Para evitar essa situação, os investigadores querem tempo para analisar provas materiais como o computador usado na quebra do sigilo bancário para então apurar a exata participação do ex-ministro no caso.
O ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso disse em depoimento anteontem à PF que entregou uma cópia do extrato de Francenildo em ''mãos'' para Palocci. Mattoso disse que foi o responsável pelo pedido das informações bancárias de Francenildo. Ele negou que Palocci tenha dado a ordem para a retirada do documento.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, informou ontem que Palocci será investigado como suspeito de envolvimento na violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo, e deverá ser intimado a depor nos próximos dias. ''Ele continua merecendo o meu apreço pessoal, mas precisa ser investigado e será. Democracia é isso'', disse Bastos, após participar da solenidade de comemoração dos 62 anos da Polícia Federal.
Palocci, afirmou Bastos, prestou serviços relevantes e foi um dos melhores ministros da Fazenda que o Brasil já teve. Mas a PF, salientou o ministro da Justiça, é uma instituição de Estado e não pode proteger amigos, nem perseguir inimigos.

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