PF quebrou sigilo telefônico da Folha de S.Paulo
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quinta-feira, 09 de novembro de 2006
Folhapress 
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Brasília - Um dos telefones da Sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo, instalado no comitê de imprensa da Câmara dos Deputados, teve o seu sigilo quebrado em meio às investigações sobre a frustrada tentativa de venda do dossiê antitucano a petistas.
O pedido de quebra feito pela Polícia Federal à Justiça, no dia 24 de setembro, incluiu ainda outros 168 números telefônicos, entre eles o do aparelho celular profissional utilizado por uma repórter da Folha de S.Paulo.
Os números investigados estavam registrados no celular de Gedimar Passos, um dos detidos pela PF em 15 de setembro por negociar o dossiê.
A quebra do sigilo de telefone utilizado por profissionais da imprensa importa em monitoramento abusivo da atividade jornalística, o que sem dúvida configura violação do sigilo da fonte, previsto na Constituição e na Lei de Imprensa, disse o diretor jurídico da Folha de S.Paulo, Orlando Molina.
A PF alega que não sabia que os telefones eram do jornal, e que não buscou investigar procedimentos da Folha de S.Paulo. Vimos que todas as ligações feitas pela Folha de S.Paulo foram posteriores a essa data [da prisão], que os jornalistas estavam apenas tentando obter mais informações sobre o caso. Logo descartamos qualquer investigação sobre a Folha de S.Paulo, disse o delegado responsável pelo caso, Diógenes Curado.
Os sigilos quebrados estão em posse da PF, que repassou cópia à CPI dos Sanguessugas. Não é possível saber se a PF já obteve a quebra também do telefone celular da repórter. Ainda de acordo com esses dados, que podem estar incompletos, a Folha de S.Paulo é o único órgão de imprensa que teve o sigilo quebrado durante a investigação.
Os dados constam do inquérito aberto pela PF no dia 18 de setembro para apurar as circunstâncias da tentativa de compra por petistas, ao custo de R$ 1,7 milhão, de material contra políticos do PSDB, especialmente contra o hoje governador eleito de São Paulo, José Serra.
Os dados das ligações do aparelho telefônico da Folha de S.Paulo foram usados posteriormente pelo setor de inteligência da PF em um organograma que reúne, de forma resumida, todos os dados colhidos com a quebra de sigilo de mais de uma centena de supostos envolvidos no episódio.


