PF qualifica 42 militantes em 6 crime
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quinta-feira, 08 de junho de 2006
Agência Estado 
Brasília - Os 42 integrantes do MSLT que foram presos depois de participar do quebra-quebra da Câmara dos Deputados foram interrogados ontem e qualificados em seis tipos de crime pela Polícia Federal. Eles responderão por corrupção de menor, danos ao meio ambiente e ao patrimônio cultural, danos ao patrimônio da União, formação de quadrilha e lesão corporal simples e grave, e podem ser condenados até 20 anos de prisão.
Até o início da noite de ontem, pelo menos 14 presos haviam sido ouvidos e confirmaram os depoimentos já colhidos pela Polícia Legislativa e pela Polícia Militar do Distrito Federal. O restante serão ouvidos no decorrer da madrugada. Os advogados do MSLT, que chegaram atrasados, não acompanharam os interrogatórios.
Na saída de seu depoimento, o líder do MSLT Bruno Maranhão, que comandou a invasão à Câmara, se disse injustiçado e reclamou do fato de ter passado a noite em uma solitária no complexo penitenciário da Papuda. Segundo ele, pelo menos 13 presos do MSLT estão isolados em celas individuais, sem contato com os outros presos. ''Tem 13 companheiros em solitárias e essa prisão é ilegal.''
Ele também considerou sua prisão arbitrária e argumentou que no momento da baderna ele se encontrava no gabinete do deputado Nelson Pelegrino (PT-BA). Na sua versão, que contraria tudo que foi apurado até o momento pelos policiais, ele estava entre aqueles que tentavam impedir que os mais radicais invadissem o parlamento para promover os atos de barbárie.
''Eu queria evitar a tropa de choque. Eu estava com o deputado Nelson Pelegrino. Eu tirei todo o pessoal de dentro. Se você observar nas fotografias vai ver que somente alguns participaram do quebra-quebra. O pessoal estava com medo da direita'', contou, já dentro do camburão que o levou de volta a Papuda.
Apenas os 42 que participaram diretamente da invasão continuarão presos. Outros 541 militantes que estiveram no protesto e que não foram flagrados no quebra-quebra terão suas prisões relaxadas. No total, a Polícia Federal trabalha com o número de 582 sem terra envolvidos no episódio. O inquérito da Polícia Federal será encaminhado ao Ministério Público que apresentará denúncia contra os radicais do MSLT.
O diretor da Coordenação de Apoio Logístico da Segurança da Câmara, Normando Fernandes, vítima de traumatismo craniano depois de receber uma pedrada durante a invasão do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), na terça-feira, deixou ontem a unidade de terapia intensiva (UTI). O irmão de Fernandes Nilton Fernandes afirmou que a expectativa é de que, até sábado, ele tenha alta do hospital.


