PF procura supeito de colocar grampo no BNDES
Agência Estado
De Brasília
Agentes da Polícia Federal (PF) esperam ouvir, a qualquer momento, o depoimento do ex-funcionário da Telerj Walter Braga, suspeito de ter sido a pessoa que colocou o grampo nos aparelhos da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os agentes do órgão já têm em mão um mandado de condução coercitiva. A PF diz já ter uma pista segura de sua localização e, assim que for encontrado, ele será levado a depor.
Braga é considerado na comunidade de informações um especialista em escuta clandestina. Segundo fontes ligadas à investigação, o ex-técnico da Telerj sempre trabalhou em associação com o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência Temílson de Resende, o Telmo. O agente seria o cabeça do grupo que fez o grampo e exerceria a função de fazer contatos políticos e análises das informações. Braga ficaria com a parte operacional - subindo em postes telefônicos e abrindo as caixas de telefone para fazer grampos. O ex-técnico, no entanto, está desaparecido há meses.
De início, ele era dado como morto, mas informações recentes recebidas pela PF apontam que ele está vivo e escondido. A polícia espera que, ao encontrá-lo, ele revele como foi feito o grampo e quem o contratou. Braga está sumido, na verdade, desde antes de a história do grampo no BNDES estourar na imprensa. Ele trabalhava na Telerj até o ano passado, quando foi flagrado retirando um extrato telefônico (informação sigilosa) para um cliente em uma das estações da empresa, no Leme, na zona sul. Foi demitido por justa causa e desapareceu.
Nas investigações sobre ele, apurou-se que fazia trabalhos para a Polícia Civil - e há informações de que grampeava traficantes que depois eram extorquidos por policiais. Especula-se que ele tenha desaparecido por ter sido ameaçado após sua demissão. Seu nome também sumiu dos arquivos da antiga Telerj. Para a polícia, Braga trabalhou com um parceiro porque o grampo no BNDES é o tipo de serviço feito em dupla - um no poste e outro na caixa do telefone, no prédio do banco.
A polícia chegou a investigar como co-autor do grampo, o técnico de telefonia Francisco Carlos da Silva, conhecido como Papinha, que trabalha na Central Tiradentes da Telemar. Em seu depoimento à polícia, no último dia 17, Papinha negou que tenha participado do grampo. Ele nunca soube nada desse assunto, jamais entrou no prédio do BNDES, garantiu ontem seu advogado, Benedito Ultra Abicair.
SSI Reage O ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, reagiu ontem às insinuações de que a Secretaria de Inteligência do governo, que ele comanda, estaria por trás da instalação do grampo do BNDES, durante o processo de privatização da Telebrás. É tudo uma grossa mentira, afirmou o general, depois de acrescentar que, pelas próprias matérias publicadas, tudo leva a crer que pessoas de dentro da Polícia Federal estão divulgando informações inverídicas para a imprensa. Cardoso considera um absurdo pessoas que trabalham para um órgão de Estado (PF) trabalharem contra outro órgão de Estado (SSI).





