As pistas reunidas até agora pela Interpol e pela Polícia Federal levaram investigadores a procurar o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto disfarçado e em países que falam espanhol. A informação de que o juiz está disfarçado foi obtida por agentes da PF em locais pelos quais ele teria passado. A possível rota do juiz Nicolau está sendo mantida em segredo, mas a PF já sabe que ele está usando aviões e helicópteros na fuga. Numa estimativa recente feita por agentes que compõem a equipe que busca Nicolau, a PF estimou que o ex-juiz já tenha gasto, com a fuga, cerca de U$ 2 milhões.
A PF acredita que essa operação esteja sendo financiada por doleiros de confiança de Nicolau e do empresário Fábio Monteiro de Barros, empresário responsável pela obra do TRT-SP. Doleiros citados nos depoimentos de testemunhas à Justiça Federal e ao Ministério Público, além de pessoas que aparecem nos repasses da Incal já rastreados pelo BC, seriam os principais suspeitos de estarem financiando a fuga.
Além do fato de nem o juiz nem sua mulher, com quem se supõe que ele esteja fugindo, não falarem inglês, a PF trabalha com a hipótese de ele estar circulando por países onde não é necessário mostrar passaporte para entrar.
Sua mulher, Maria da Glória Bairão dos Santos, teria se juntado a ele no meio da fuga. Ela estava sendo seguida pelos agentes da PF mas conseguiu despistá-los. Recentemente, o FBI descobriu que o juiz havia comprado duas passagens aéreas em Miami em julho. Já nesta época ele estaria viajando com a mulher.
Os investigadores dizem ter outras evidências de que o juiz está num país de língua espanhola, mas não revelam quais são. O ex-juiz, apontado como um dos principais responsáveis pelo desvio de R$ 169 milhões da obra superfaturada do Fórum Trabalhista de São Paulo, está com prisão preventiva decretada desde abril deste ano. Ele está foragido há 5 meses.
Enquanto a procura continua, autoridades judiciais já dão sinais públicos de que terão boa vontade com o ex-juiz se ele se entregar. Anteontem, o vice-presidente do STF, Marco Aurélio de Mello, declarou que, caso se entregasse, Nicolau ‘‘fatalmente responderia o processo em liberdade’’.
Anteontem, o chefe da Interpol no Brasil, Washington Mello, afirmou que o vice-presidente do STF fala ‘‘com conhecimento de causa’’ e que a prisão preventiva ‘‘pode ser revogada mesmo que ele ainda não tenha sido preso.’’ O chefe da Interpol, no entanto, nega que esteja em curso alguma negociação entre Nicolau e a Polícia.

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