PF procura Estevão para interrogatório
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terça-feira, 04 de julho de 2000
Edson Luiz Agência Estado De Brasília 
A Polícia Federal (PF) começou, no fim da tarde de ontem, uma caçada ao ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF) para que ele seja interrogado no inquérito em que é acusado de envolvimento no desvio de R$ 169 milhões das obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Ontem, pela terceira vez, Estevão deixou de comparecer à PF para prestar depoimento e ser indiciado por crimes de formação de quadrilha e peculato.
Caso ele não seja encontrado nas próximas horas, a PF poderá fazer o indiciamento indireto, alegando que ele está em local incerto e não sabido. Ontem depois de esperar o ex-senador por três horas, o delegado que cuida do caso, Luiz Carlos Zubkov resolveu expedir para todas as superintendências da PF um mandado de condução para que, ao ser localizado, seja trazido por policiais a Brasília.
A incerteza de que Estevão não iria depor ontem imperava na PF, desde a noite de anteontem, quando surgiu a informação oficial de que ele estaria em São Paulo. A partir daí, a PF ficou sem saber que caminho seguir, uma vez que não tinha pistas de onde ele poderia estar, apesar de ter monitorado o número dos vôos em que ele possivelmente deveria ter embarcado.
Mesmo podendo até viajar para o exterior, a ida de Estevão a São Paulo foi uma estratégia dos advogados de defesa com o objetivo de poder mostrar à Justiça que ele estava disposto a ficar no País e colaborar no que fosse preciso. A tática deixou a PF atordoada, uma vez que previa que ele não faltaria ao depoimento de ontem. Na noite de segunda, ninguém na área policial sabia exatamente quais seriam os planos do ex-senador.
Até minutos antes da hora marcada para o depoimento de Estevão, a PF acreditava que ele iria ao interrogatório de Zubkov e nem mesmo sabia que o ex-senador ainda estava em São Paulo. Somente às 14h30 é que a direção da PF resolveu divulgar uma nota para esclarecer como ficaria a situação do senador, a partir do não comparecimento.
O advogado de Estevão em São Paulo, Roberto Podval, também expediu uma nota à imprensa, afirmando que a cassação do mandato do cliente dele levantou questão de competência para o andamento do inquérito, que foi enviado à PF pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas que deveria ser encaminhado à Justiça Federal.
Segundo Podval, a ação da PF pode ser considerada como
arbitrária, uma vez que Estevão não recebeu nenhuma intimação até o momento. Não se faz intimação a advogado, mas sim, pessoalmente, declarou Podval.
Luiz Estevão está aguardando e comparecerá quando for intimado, mesmo não concordando com o fato. Ele acrescentou que a PF poderia intimar o ex-senador, pois tinha todos os contatos dos advogados. O inquérito que corre na PF faz parte do processo aberto
pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo para apurar o desvio de dinheiro para as obras do TRT.


