PF prende um dos operadores mais ativos da Lava Jato
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba Investigadores da Polícia Federal (PF) prenderam ontem, na deflagração da 13ª fase da Lava Jato, um dos operadores mais ativos dentro do megaesquema de desvio de dinheiro público da Petrobras. Segundo informações levantadas pelo Ministério Público Federal (MPF), o leque de atuação do empresário Milton Pascowitch envolvia, além do acerto e pagamento de propinas na diretoria de Serviços (à época comandada por Renato Duque, que foi indicado pelo PT para o cargo), o repasse de vantagens indevidas a funcionários da diretoria de Exploração e Produção da estatal.
Ele foi preso na sua residência de manhã, em São Paulo, e chegou na Superintendência da PF, em Curitiba, no final da tarde de ontem. De acordo com o MPF, Milton foi preso por reiteração criminosa e para a garantia da ordem pública, pois mesmo após a deflagração da Lava Jato ele continuava realizando movimentações financeiras oriundas de propinas.
O lobista Milton Pascowitch é o alvo central das investigações envolvendo o suposto recebimento de propinas pelo ex-ministro José Dirceu, por Renato Duque e o PT. Pascowitch pagou R$ 1,4 milhão a Dirceu e R$ 1,2 milhão para Duque - também preso, desde 16 de março, envolvido no escândalo de corrupção e cartel na estatal. A Jamp pagou a JD Assessoria e Consultoria Ltda., do ex-ministro, em 2011 e 2012. O ex-ministro alegou que foi por serviços de consultoria internacional prestados para a construtora Engevix Engenharia, em Cuba e no Peru. Para os investigadores da Lava Jato, a Jamp era uma empresa de fachada de Pascowitch usada para esquentar o dinheiro da propina. Não há aparente relação justificável para a relação comercial formal entre as partes, acreditam os procuradores.
Além do mandado de prisão preventiva, os agentes também cumpriram quatro mandados de busca e apreensão na capital paulista, Rio de Janeiro e Itanhandu (MG), e um de condução coercitiva (João Adolfo Pascowitch, irmão de Milton). Nas casas dos irmãos Pascowitch foram apreendidas várias obras de arte. Na casa de José Adolfo foram apreendidas 40 obras; e na casa de Milton outras 20. A PF suspeita que estas obras de arte sejam usadas para lavagem de dinheiro. Ainda não há uma estimativa de quanto Pascowitch movimentou em propina.
"Com a prisão de Milton, está se abrindo um novo panorama para investigação nos contratos da área de Exploração e Produção da estatal, que ainda não havia sido citada. Verificamos que a 'fórmula' identificada na diretoria de Serviços vai se repetir nesta outra diretoria. É a diretoria com o segundo maior orçamento da estatal, só perde para Serviços", explicou Igor Romário de Paula, delegado da PF.
Conforme as investigações, Milton serviu como intermediário da empresa Engevix Engenharia (uma das empreiteiras já investigadas na operação) e de seus gestores, na corrupção, lavagem de dinheiro, acerto e pagamento de propinas com o ex-diretor de Serviços Renato Duque, entre os anos de 2003 e 2012. E que, por isso, tinha um bom trânsito dentro do Partido dos Trabalhadores. Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, Gerson de Melo Almada, dirigente da Engevix, inclusive confessou que pagava valores a Milton a título de "lobby" por meio da sua empresa, a Jamp Engenheiros Associados Ltda., para obter contratos da Petrobras. O investigado receberia de 0,5% a 1% do valor de cada contrato fechado junto à estatal.
Atuando como operador da Engevix, Milton também teria repassado propina em decorrência de contratos do Estaleiro Rio Grande, no âmbito da empresa Sete Brasil Participações S/A, do qual a empreiteira fazia parte e atuou na construção de três sondas. "O que eles chamam de lobby, nós chamamos de corrupção", disse o procurador do MPF, Carlos Fernando dos Santos Lima.
"Agregue-se que, no caso de Milton Pascowitch, há provas, em cognição sumária, de que manteria contas secretas no exterior (pelo menos a MJP International Group e a Farallon Investing Ltd), com recursos milionários, a partir das quais efetuou o pagamento de propinas a empregados públicos, como Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobras). Nesse contexto, remanesce com os instrumentos necessários para a continuidade da prática delitiva, sem qualquer possibilidade de controle por parte das autoridades públicas", ressaltou o juiz Sérgio Moro, na decisão em que deferiu a prisão preventiva do investigado.
O advogado de Pascowitch, Rodrigo Castor de Mattos, informou que a denúncia é muito recente e que não vai se pronunciar no momento. Apenas confirmou que vai conversar com seu cliente antes de tomar qualquer medida que achar necessária. (Com Agência Estado)


