Maceió – Os 38 presos pela Polícia Federal (PF) - além dos dois presos em flagrante por porte ilegal de armas - durante a Operação Taturana deflagrada na madrugada de ontem em Alagoas, foram encaminhados para a Academia da Polícia Militar, no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió. Entre os presos estão políticos, assessores, um ex-governador e funcionários do Poder Legislativo alagoano. As prisões foram decretadas pela desembargadora Amanda Lucena, do Tribunal Regional Federal da 5ª  Região, com sede em Recife (PE). Os presos prestaram depoimento, foram submetidos a exames de corpo delito e estão na carceragem da PF à disposição da Justiça.
  Pelo menos 370 policiais federais de vários Estados participaram da operação, que começou por volta das 5 horas da manhã. Ao todo, foram expedidos 79 mandados de busca e apreensão e 40 mandados de prisão, quase todos cumpridos. Além de Alagoas, foram expedidos três mandados de prisão para supostos integrantes da quadrilha presos em São Paulo e mandados de busca para um endereço em Pernambuco.
  Segundo a PF, os presos são acusados de integrar uma organização criminosa responsável por desviar mais de R$ 200 milhões da Assembléia, nos últimos cinco anos. A quadrilha se apropriava de recursos públicos através da folha de pagamento da Assembléia, com a inclusão de funcionários ‘‘fantasmas’’ e ‘‘laranjas’’. Os integrantes do esquema também cometeram fraudes nas restituições do Imposto de Renda (IR) de servidores do Poder Legislativo mediante informações falsas inseridas nas declarações do imposto retido na fonte.
  Entre os presos estão o ex-governador Manoel Gomes de Barros, cujo filho Nelito Gomes de Barros, é deputado estadual pelo PMN; o deputado estadual Cícero Ferro (PMN); e o ex-presidente da Assembléia Celso Luiz Brandão, que foi candidato a vice-governador nas eleições de 2006, na chapa do ex-deputado federal João Lyra (PTB).
  Barros e Ferro foram presos por porte ilegal de armas. Na fazenda Jurema, que pertence ao ex-governador, em União dos Palmares, os policiais federais encontram uma pistola de uso restrito e uma metralhadora. Na mansão de Ferro, no condomínio fechado Aldebaran, em Maceió, foram encontradas muitas outras armas.
  O advogado José Fragoso Cavalcante, contratado pelo ex-governador, disse que Barros não teria envolvimento nenhum na quadrilha. ‘‘Ele só foi preso porque, durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, foram encontradas armas na fazenda’’, afirmou Fragoso. ‘‘Eu ainda não sei por que o endereço da fazenda dele foi alvo da operação’’, completou o advogado.
  Fragoso não soube informar também se o mandado de busca e apreensão não teria sido expedido também em nome de Nelito Gomes de Barros, que é filho do ex-governador e casado coma filha do ex-presidente da Assembléia, o ex-deputado estadual João Neto.
  O delegado que comandou a operação, Janderlier Gomes de Lima, chegou a dizer, por volta das 11 horas da manhã - que entre os presos estava o atual presidente da Assembléia, Antônio Albuquerque (DEM). Segundo a PF, o deputado teria sido preso em sua casa em Maceió, por porte ilegal de arma. Em nota oficial, Albuquerque negou a prisão.
  O superintendente da PF em Alagoas, José Pinto de Luna, revelou que pelo menos nove deputados estaduais de Alagoas estariam envolvidos no esquema, mas não tiveram a prisão decretada porque questões judiciais.
  Entre o material apreendido estavam nove espingardas, três revólveres, sendo dois 357, e uma metralhadora, além de 800 munições e cinco galões de explosivos. A PF também mostrou mais de 40 veículos de luxo apreendidos, entre eles Hillux, Pajeros, jet-ski, quadriciclos, entre outros. A polícia afirmou, ainda, que apreendeu jóias e dinheiro, mas não mostrou à imprensa. Os delegados disseram que tudo está sendo contabilizado e em breve a sociedade será informada.

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