PF prende suposto ''laranja'' das CC-5
Valmir Denardin
Agentes da Polícia Federal (PF) prenderam anteontem à noite, em Foz do Iguaçu (Sudoeste do Paraná), o funcionário público Ismael Filadelfio Adorno, de 28 anos, acusado de envolvimento no esquema de envio ilegal de dinheiro ao exterior por meio das contas bancárias CC-5. A PF acredita que Adorno seria laranja na lavagem de dinheiro de atividades criminosas. A operação de remessa de dinheiro para fora do País, vem sendo investigada na região pelo procurador da República em Cascavel Celso Antônio Três, que já depôs na CPI dos Bancos.
Segundo o delegado Eudes Carneiro, Adorno remeteu ao exterior cerca de R$ 3 milhões, supostamente emprestando seu nome para outra pessoa. Adorno trabalha na 16ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), órgão do Detran em Foz do Iguaçu, onde o salário médio é de aproximadamente R$ 1 mil.
A prisão temporária do funcionário foi determinada pela 2ª Vara da Justiça Federal em Foz do Iguaçu e motivada pelo fato de que Adorno não se apresentou espontaneamente para depor na PF, mesmo depois de receber duas intimações.
O funcionário foi interrogado anteontem à noite. Ontem, a Folha tentou apurar o teor do depoimento, mas a delegacia do órgão funcionou apenas em esquema de plantão, devido ao feriado de Corpus Christi. O delegado de plantão disse que não tinha informações sobre o caso. Ele confirmou apenas que Adorno continuava preso no local.
Segundo a Folha apurou, a prisão do funcionário público foi feita por uma equipe da Divisão de Inquéritos Especiais da PF, enviada de Brasília para apurar o esquema de lavagem de dinheiro em Foz do Iguaçu. O trabalho de investigação do procurador Celso Antônio Três aponta que Foz - cidade na fronteira brasileira com Paraguai e Argentina - é a campeã brasileira na remessa de divisas para o exterior por contas CC-5 de pessoas físicas.
Dos 226 laranjas listados pelo procurador em todo o País, entre 1992 e 98, 85 (37%) estariam em Foz do Iguaçu. Eles enviaram ao exterior R$ 1,45 milhão. Esse valor representa 36% do total remetido no período por pessoas físicas - R$ 7,5 bilhões. Celso Três acredita que 54% desse montante seria de remessas ilegais, feitas por meio de laranjas, pessoas que emprestam o nome por quantias pequenas em dinheiro para operar no sistema.
Em seu depoimento à CPI dos Bancos, anteontem, o procurador Celso Antônio Três voltou a acusar o Banco Central de omissão. Ele repetiu que o BC sempre acompanhou as operações.
Três, depois de depoimento aberto, participou de sessão fechada com os senadores, quando repassou a relação completa de pessoas físicas (com 1,7 mil nomes) e empresas (mais de 5 mil) que enviaram dinheiro para fora do Brasil por meio das contas CC-5 no período investigado. O total soma R$ 111,6 bilhões.





