PF prende quadrilha que fraudava licitações
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sexta-feira, 11 de agosto de 2006
Liege Albuquerque<br>Agência Estado 
Manaus - A Polícia Federal prendeu ontem em seis Estados 30 empresários e funcionários públicos e, entre eles, 10 militares reformados e da ativa acusados de participar de uma quadrilha que fraudava licitações públicas de gêneros alimentícios no Amazonas. Foram expedidos 64 mandados de busca e apreensão, em que foram encontrados nas casas dos indiciados, por crimes de peculato a formação de quadrilha, desde documentos, dólares a jóias 30 carros importados.
Há apenas um foragido, o empresário José Maurício Gomes Lima. O capitão da Polícia Militar José Quincas, acusado de fraudar licitações de compra de alimentos para a polícia, está de férias em Paris, mas já está sendo trazido ao Brasil pela PF.
Dos 32 mandados de prisão, 27 pessoas foram presas em Manaus. No Amazonas, em um ano, a Polícia e a Receita Federal apuraram terem sido fraudadas licitações e realizadas compras superfaturadas em mais de R$ 126 milhões em alimentos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), pelo Exército Brasileiro, pelo governo estadual e pelas prefeituras da capital e de Presidente Figueiredo, município a 107 quilômetros de Manaus.
O Exército e o governo estadual emitiram notas oficiais informando que os envolvidos estão afastados de suas funções, e que devem ser realizadas investigações internas para apurar eventuais responsabilidades sobre os ilícitos apontados pela Polícia e Receita Federal.
De acordo com o superintendente da Receita Federal na região Norte, José Barroso Tostes Neto, além do valor das licitações fraudadas, a Receita apurou sonegação fiscal de cerca de 20 empresas de quatro grupos.
''Nos últimos seis anos estas empresas movimentaram mais de R$ 354 milhões no País, mas declararam terem apenas R$ 27 milhões de rendimentos no mesmo período'', afirmou. ''Só no ano passado o esquema beneficiou os fraudadores em cerca de R$ 60 milhões''.
O secretário executivo da Fazenda do Amazonas, Afonso Lobo, foi preso segundo a Polícia Federal suspeito de facilitar os pagamentos e liberar a participação de empresas para licitações mesmo estando em dívida com o Estado do Amazonas.
Na Operação Saúva a ''saúva rainha'' era o empresário Cristiano da Silva Cordeiro, que possuía o grupo de empresas com maior movimentação: a Gold Distribuidora de Alimentos, a Norte Distribuidora, a Distribuidora Petrolina, a Global Logística e a Big Norte. O superintendente da PF no Amazonas, Kércio Pinto, citou ainda outros três empresários amazonenses como os líderes dos outros três grupos: Lamarck Barroso de Souza, Ricardo de Oliveira Lobato e José Maurício Gomes Lima. Este último é irmão de Cristiano.


