PF prende quadrilha que fraudava licitações
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quarta-feira, 26 de julho de 2006
Vannildo Mendes<br>Agência Estado 
Brasília - A Polícia Federal desmantelou ontem, com a Operação Mão-de-Obra, uma quadrilha especializada em fraudar licitações em órgãos públicos nas áreas de vigilância, serviços gerais e informática. Foram presos seis acusados de envolvimento no esquema, entre os quais dois empresários e um funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Outros 14 suspeitos de ligação com a máfia dos editais, entre os quais seis servidores com funções dirigentes na área administrativa, um deles do Senado, podem ter prisão decretada nos próximos dias.
A quadrilha, segundo informou a PF, é a ponta visível de um gigantesco esquema de fraudes nos editais de licitação do setor público, envolvendo um conluio entre servidores públicos corruptos e empresários corruptores. A PF tem indícios de que a exemplo da administração federal, os governos estaduais e municipais são vítimas desse oceano de golpes. O esquema é antigo e a investigação abrange contratos de três empresas - Conservo, Ipanema e Brasília Informática - com o governo federal nos últimos quatro anos.
Alvos de prisão provisória, que deve durar até o final do inquérito, foram presos ontem os empresários Victor João Cúgola, proprietário da Conservo, José Carvalho Araújo, dono da Ipanema e Márcio Pontes Veloso, da Brasília Informática. Considerado cabeça da quadrilha, Cúgola foi preso em Belo Horizonte e seria levado para Brasília. Pelos primeiros dados levantados, o prejuízo pode ser superior a R$ 100 milhões. Só neste ano, os donos da Conservo e da Ipanema já receberam R$ 57 milhões dos cofres federais, de acordo com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) levantados pela ONG Contas Abertas.
As três empresas prestam serviços de segurança e limpeza nos órgãos federais investigados. Também foram presos temporariamente, por pelo menos 10 dias, outras três pessoas suspeitas de integrar o esquema: Geraldo Luiz Ferreira dos Santos, servidor da Abin, Paulo Duarte, funcionário da Ipanema, e Rosana de Souza Cardoso, gerente da Conservo.


