Manaus - Uma operação realizada pela Polícia Federal prendeu ontem cinco servidores do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Roraima, além da mulher e da sogra do presidente do tribunal, desembargador Mauro Campello, acusados de participarem de esquemas de desvio de verba pública. A mulher do desembargador, Larissa de Paula Campello, e a sogra, Clementina Beltrão de Paula, são acusadas de receberem parte dos salários de funcionários comissionados (cargos de confiança) do tribunal. À PF, Clementina teria admitido ter recebido o dinheiro e teve a prisão revogada.
A ação, batizada de Operação ''Pretorium'' - nome da sede do pretor (magistrado) na Roma antiga -, foi realizada com base em investigação da PF, por requisição do Ministério Público Federal, após denúncias de dois servidores do tribunal roraimense. ''Dois servidores denunciaram não aguentar mais a coação, ter de repassar parte dos salários'', disse o superintendente da Polícia Federal em Roraima, Francisco Mallmann.
A mulher de Campello, Larissa de Paula, foi presa em um hotel de Manaus (AM) e transferida para Boa Vista (RR) num avião da PF. O desembargador chegou a pedir à delegada Juliana Cavaleiro, que efetuou a prisão, para não algemar Larissa, mas não foi atendido. Mais tarde, tentou acompanhar sua mulher no avião, mas o pedido também foi negado.
Da sede da PF em Manaus, Campello telefonou para o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Sepúlveda Pertence, pedindo a presença de um membro do TSE para acompanhar as investigações. ''Fomos surpreendidos às 7h no hotel e até agora não sabemos de nada. Um procedimento malfeito, prendem uma pessoa e não sabem o motivo de nada'', disse o desembargador.
Antes de embarcar, Campello atacou o juiz da 1 Vara Federal de Roraima, Helder Girão Ferreira, que expediu os mandados de prisão e de busca e apreensão, realizados no prédio do TRE e na casa da mulher do desembargador. Foram apreendidos documentos e arquivos para análise judicial.
Segundo o superintendente da PF no Estado, Larissa e a mãe recebiam cerca de 40% dos salários de alguns servidores, que variam de R$ 7.000 a R$ 8.000. O esquema funcionava, ainda de acordo com a polícia, por um ano e meio. Larissa Campello e a mãe são acusadas dos crimes de formação de quadrilha (reclusão de 1 a 3 anos) e exploração de prestígio (reclusão de 1 a 5 anos e multa).

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