PF prende funcionário do Del Paraná
A Polícia Federal de Foz do Iguaçu prendeu o funcionário do Banco Del Paraná (braço do Banestado no Paraguai), Victor Hugo Sosa, de 21 anos. Ele é paraguaio e estava tentando cruzar a fronteira com R$ 1,176 milhão em cheques, que já haviam passado pelo Del Paraná. Esta é a maior apreensão de cheques supostamente utilizados na lavagem de dinheiro provenientes de atividades ilícitas no Brasil. Investigações realizadas na cidade por agentes especiais de Brasília confirmam a lavagem de pelo menos R$ 20 milhões todas as semanas.
A prisão aconteceu no final da tarde de anteontem, mas só se tornou pública ontem. Sosa estava em uma motocicleta quando foi parado por policiais federais que trabalham na aduana brasileira. Em uma bolsa a tiracolo, foram encontrados 841 cheques, todos de clientes brasileiros de diversos bancos públicos e privados. Segundo o depoimento de Sosa, os cheques seriam depositados em contas abertas em agências de Foz. Ele não especificou em quais bancos faria o depósito. Ainda segundo o paraguaio, os cheques eram de sacoleiros e clientes brasileiros que fazem compras frequentemente nas lojas de Ciudad del Este.
O delegado-chefe da PF em Foz, Eudes Carneiro, não concorda com a suposta origem dos documentos. Em apenas duas ligações telefônicas, descobrimos que alguns clientes nunca foram ao Paraguai. Eles confirmaram que preencheram os cheques em postos de gasolina, disse Carneiro enquanto mostrava fotocópias da apreensão. Os valores dos cheques variam entre R$ 14,00 e R$ 2 mil e têm origem em diversas cidades brasileiras.
Segundo levantamentos da PF, desde o início do ano foram presas 11 pessoas transportando valores em cheques superiores a R$ 10 mil na fronteira, limite permitido pela Receita Federal sem a necessidade da declaração de origem. Todos foram presos sobre a acusação de evasão de divisas, crime cuja pena varia de 2 a 6 anos.
As investigações realizadas em Foz pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado e de Inquéritos Especiais (DCoie), formada por um grupo de agentes enviados de Brasília, mostram que a nova opção do crime organizado brasileiro é a compra de cheques das chamadas empresas de factoring, onde os documentos de créditos pré-datados são trocados por dinheiro com a cobrança de uma pequena comissão.
Segundo o delegado que comanda o DCoie em Foz, com o cerco fechando sobre as contas CC-5, o dinheiro sujo passou a ser trocado por cheques que acabam sendo transferidos ao Paraguai, onde recebem carimbos de empresas e bancos estrangeiros. Depois, os cheques voltam ao Brasil, onde são depositados em contas comuns.
As investigações já resultaram em 218 inquéritos apresentados pela Polícia Federal à Justiça de Foz do Iguaçu. Os inquéritos investigam o esquema de lavagem de dinheiro na fronteira. Aos clientes de bancos, segundo recomenda a PF, a melhor opção para não se envolverem (direta ou indiretamente) com a lavagem de dinheiro, é colocar nos documentos o nome da pessoa ou empresa destinatária, preenchendo os chamados cheques nominais.





