Arquivo FolhaSalomão: 500 cheques sem fundoO ex-prefeito de Morretes Julio Salomão (PTB) está preso na Polícia Federal em Curitiba há pelo menos três dias, por determinação do juiz federal da 2ª Vara Criminal, Márcio Rocha. Salomão é acusado de coordenar, através da sua factoring - a Duplicred - operações irregulares junto ao mercado financeiro.
O Banco Central foi o primeiro a rastrear, com uma sindicância, as supostas irregularidades. Mas foi o Ministério Público que denunciou o caso para a Polícia Federal do Paraná, que já instaurou inquérito contra o ex-prefeito. As investigações vêm sendo chefiadas pelo delegado de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteira, Luiz Ivan Santos Paim.
O advogado de Salomão, Fernando Vernalha, ainda não conseguiu revogar a prisão temporária decretada pelo juiz da 2ª Vara Criminal. A Folha tentou contato no escritório do advogado Luis Alberto Machado, onde Vernalha é um dos funcionários, mas não conseguiu. O advogado não retornou as ligações até o fechamento desta edição.
Esta não é a primeira vez que o ex-prefeito se envolve em confusão. Salomão responde por três processos no Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre, e por outros gerados pelo seu afastamento da Prefeitura, em junho do ano passado. Acusado de improbidade administrativa, peculato e licitações irregulares, o ex-prefeito foi obrigado a deixar a Prefeitura de Morretes no dia 10 de junho de 96.
O anúncio foi feito pela manhã, durante a assinatura de um decreto que nomeou o coronel Sérgio Malucelli, da Polícia Militar, interventor no município. A decisão, respaldada pela Assembléia Legislativa, foi do governador em exercício, Aníbal Khury (PTB). Na oportunidade, Khury liberou R$ 150 mil para o pagamento de salários atrasados dos 350 funcionários municipais.
Júlio Salomão também respondeu por ter nomeado sete parentes para o primeiro escalão de seu governo. Bem como por ter deixado de pagar contas de mais de um ano a fornecedores como supermercados, postos de gasolina, oficinas mecânicas e empresas de construção. O Tribunal de Justiça chegou a bloquear os bens do ex-prefeito, a pedido do promotor de Morretes Fábio Andrades Gameiro, para assegurar ressarcimentos ao erário público.
Durante a sua gestão, de acordo com denúncias feitas pela Câmara Municipal, Salomão teria passado mais de 500 cheques sem fundo através do Banestado. Em junho do ano passado, o ex-prefeito, que gozava de foro privilegiado, acumulava 30 inquéritos na Justiça Estadual e Federal, por crimes como o de sonegação de Imposto de Renda e por ser portador de três CPFs (Cadastro de Pessoa Física).
Um dos episódios que mais marca a sua conturbada trajetória foi quando o ex-suplente de deputado estadual Nilton Cervo atirou contra o carro do ex-prefeito Julio Salomão, em frente à sua factoring, em Curitiba. Cervo alegava diferenças pessoais com o ex-prefeito. (L.D.)

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