A Polícia Federal prendeu anteontem à noite, o ex-contador do empresário José Osmar Borges, Florisvaldo Fúrio. Ele estava foragido desde da última segunda-feira. Fúrio teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz federal, Jeferson Schneider, acolhendo pedido do Ministério Público Federal. Ele é acusado de co-autoria na fraude descoberta pelo MPF nas aplicações dos recursos da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
A prisão ocorreu na porta da Procuradoria da República em Mato Grosso, após Fúrio ser ouvido pelo procurador José Pedro Taques. O ex-contador já foi ouvido na Polícia Federal pelo delegado Disney Rosseti. Fúrio será encaminhado para a Cadeia Pública de Santo Antônio de Leverger.
O empresário Borges foi preso na terça-feira, na BR-364, próximo a Jaciara, por agentes federais, próximo de Cuabá. Ele é acusado de desviar R$ 133 milhões dos recursos para ser aplicados em sete projetos financiados pela Sudam. Borges foi solto no dia seguinte. Além de Borges, também foram presas sua contadora, Ilma Gustrinelli e sua secretária Cirlene Ferreira, que conseguiram na quarta-feira, um habeas-corpus no Tribunal Regional Federal, em Brasília (TRF). Também foi solto o empresário, Alberto Júnior, que também conseguiu um habeas-corpus na terça-feira também no TRF.
Continua preso o dono da Prestímus Assessoria, Jorge Jerônimo Gonso, empresa que elaborava os projetos apresentados por Borges e outros empresários com irregularidades. Ontem chegaram na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Mato Grosso, vários computadores e documentos ampreendidos no escritório da Prestímus em São Paulo.
O ex-proprietário da Empresa Álcool Brasileiro S/A (Alcobras), José Alves Pereira, deverá ser indiciado pela Polícia Federal por crime contra o patrimônio público. Pereira usou mais de R$151 milhões do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam) para construir uma usina de álcool que só operou um dia, em 1992. O Finam é uma linha de crédito administrado pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O inquérito da PF está sendo conduzido pelo delegado Celso Mantovani.
O superintendente da PF, Ney Ferreira de Sousa, tem como certo o indiciamento de Pereira, mas não são fornecidos detalhes da investigação. A Alcobras recebeu também recursos do Banco do Brasil e da iniciativa privada. Pereira teria entrado com 4% dos R$ 800 milhões consumidos no projeto.
Na sexta-feira, o procurador da República Marcus Vinicius Aguiar realizou inspeção em uma fazenda de gado implantada com dinheiro da Sudam. Ele não divulgou o nome ou endereço da fazenda, mas adiantou que, ao menos naquele empreendimento, não observou irregularidades.
Nove projetos estão sendo investigados pelo Ministério Público Federal. Três já foram denunciados por Aguiar, que pediu a indisponibilidade dos bens e a devolução do dinheiro desviado. Aguiar prepara agora a ação penal, onde poderá até pedir a prisão dos envolvidos.

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