São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro - A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Saqueador, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo verbas públicas federais. O empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, foi detido em Goiânia. Também foram expedidos mandados de prisão contra o empresário Adir Assad, já condenado na Lava Jato por lavagem de dinheiro e associação criminosa, e contra o ex-presidente e principal acionista da empreiteira Delta Construções, Fernando Cavendish. No total, o Ministério Público Federal denunciou 23 pessoas.
Os agentes federais estiveram no apartamento de Cavendish, no Leblon, zona sul do Rio, mas o empresário não foi encontrado. Ele estaria fora do País. Entre 2007 e 2012, a Delta teve mais de 96% de seu faturamento vindo de verba pública, algo em torno de R$ 11 bilhões. De acordo com o MPF, R$ 370 milhões foram "lavados" pelos chamados operadores do esquema com pagamentos a 18 empresas de fachada.
Com esse dinheiro, segundo os procuradores, era paga propina a agentes públicos. A maior parte dos pagamentos acontecia em anos de eleição e sempre em dinheiro. Segundo a PF, as empresas não existiam e os serviços não eram realizados; não existiam funcionários e a receita era incompatível com a despesa.
Investigadores da Lava Jato auxiliaram na investigação já que o esquema também foi usado para lavar dinheiro. O STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou o uso de trechos da delação de executivos da Andrade Gutierrez. O juiz responsável pelo caso é Marcelo Bretas, da 7ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro. É ele também que está à frente das ações da Eletronuclear, desmembramento da Lava Jato.

CPI DO CACHOEIRA
A PF já havia deflagrado uma operação de mesmo nome e contra alguns dos mesmos alvos em 2013. Tratou-se de um desdobramento de investigação iniciada a partir de documentos enviados pela CPI do Cachoeira, criada em abril de 2012 no Congresso para investigar as informações obtidas pela PF, por meio das operações Vegas e Monte Carlo, que indicaram o envolvimento de agentes públicos e privados com o empresário Carlinhos Cachoeira. As operações tinham como objetivo inicial investigar a exploração de jogos de azar.

OUTRO LADO
Procurado, o advogado Miguel Pereira Neto classificou como desnecessária a detenção de seu cliente, Adir Assad, que já cumpria pena em prisão domiciliar. De acordo com ele, não há nenhum episódio novo em relação aos fatos descobertos pelas operações Lava Jato e Monte Carlo que justifiquem a detenção. A defesa entrará com pedido de habeas corpus ainda nesta quinta.

LAVAGEM
As investigações da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal) que deram origem à operação Saqueador descobriram que a construtora Delta cometeu irregularidades em obras do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e na construção do parque aquático Maria Lenk, obra realizada em 2006 para o Pan de 2007. O parque aquático será local de competição na Olimpíada. Lá serão disputadas provas de salto ornamental.
Entre 2007 e 2012, segundo os investigadores, a Delta lavou R$ 370 milhões por operadores escolhidos pelo esquema que realizaram pagamentos a 18 empresas de fachada criadas pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso esta manhã em Goiânia. Já entre 2006 e 2012, o Dnit repassou à empresa cerca de R$ 11 bi à Delta. O MPF constatou fraudes em licitação, superfaturamento, desvios de verba pública e pagamentos indevidos em projetos de infraestrutura.

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