PF prende acusados de corrupção em estatais
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terça-feira, 23 de maio de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Federal (PF) do Paraná prendeu ontem seis pessoas acusadas de pertencer a uma quadrilha que obtinha benefícios de quatro empresas públicas Itaipu Binacional, em Curitiba e Foz do Iguaçu, Eletronorte, em Brasília, Eletrosul, em Florianópolis, e Furnas, no Rio de Janeiro. As investigações iniciaram em agosto do ano passado a partir de uma representação criminal apresentada pela diretoria jurídica da Itaipu Binacional. Um ex-funcionário paraguaio da Itaipu, Michael Popow Nosikow, ainda está foragido.
Entre os presos, está o ex-funcionário da Itaipu Laércio Pedroso, que na edição de 18 de janeiro de 2006 da revista ''IstoÉ'' era tido como ''testemunha chave'' de um suposto caixa 2 mantido pela empresa pública. Após a veiculação da reportagem, no entanto, a revista foi obrigada pela 8 Vara Federal Criminal de São Paulo a publicar um direito de resposta da binacional no dia 31 de janeiro. A reportagem havia reproduzido um documento entregue pelo ex-funcionário, no qual supostamente se comprovaria a existência do caixa 2, mas que já havia sido considerado falso, em setembro de 1999, pelo laudo pericial do Instituto Nacional de Criminalística. Laércio Pedroso exercia atividades burocráticas na binacional e foi demitido em 1992.
De acordo com o delegado de Crimes Contra o Patrimônio da PF do PR, Fernando Destito Francischini, o ex-funcionário era o mentor da quadrilha, responsável pelo contato com empresas privadas fornecedoras de serviços e equipamentos para as hidrelétricas públicas. Através de documentos falsos, Pedroso inventava dívidas antigas que a Itaipu supostamente teria com as tais fornecedoras para se beneficiar dos pagamentos.
''Quando o pagamento a uma fornecedora é inferior a R$ 30 mil, a autorização para a liberação do dinheiro, no caso da Itaipu, não precisava da assinatura da diretoria da hidrelétrica. Por isso a quadrilha emitia às vezes mais de 300 cheques de pequeno valor com a ajuda de funcionários'', disse o delegado, informando ainda que a quadrilha se preparava para ''sacar'' R$ 1 milhão nos próximos dias. A PF, no entanto, ainda investiga a participação tanto de funcionários das empresas ABB, Alstom e Transpesa Della Volpe como de empregados das hidrelétricas.
A ação deflagrada pela PF, intitulada ''Operação Castores'', também cumpriu 22 mandados de busca e apreensão. Os sete mandados de prisão são temporários, ou seja, válidos por cinco dias, e foram expedidos pela 1 Vara Criminal Federal de Curitiba. Os mandados foram baseados nos crimes de formação de quadrilha, corrupção, tráfico de influência, falsificação de documentos públicos e estelionato.
Hoje, às 9h30, Pedroso deve participar em Brasília de uma audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, da Câmara Federal, que analisa a denúncia de superfaturamento na Itaipu publicada na revista ''IstoÉ''. A audiência pública, no entanto, foi adiada. A nova data está indefinida e a assessoria da comissão não revelou os motivos do cancelamento.
Audiências sobre o assunto acontecem desde o dia 8 de março e foram motivadas por requerimentos dos deputados federais Fernando Gabeira (PV) e Nilson Mourão (PT). Apesar de estar preso na superintendência da PF em Curitiba, Pedroso estaria liberado a prestar depoimento na comissão, que também deveria receber o advogado Roberto Bertholdo, preso há cerca de cinco meses, e o ex-deputado estadual Tony Garcia.


