PF prende 5 da Kroll e investiga o Opportunity
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quarta-feira, 27 de outubro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem a Operação Chacal e prendeu cinco acusados em São Paulo, supostamente envolvidas numa intrincada história de espionagem empresarial, que também teria como alvo autoridades do governo. Os cinco acusados trabalham na empresa de investigação Kroll Associates. No Rio, a PF vasculhou a residência do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.
A PF queria prender Dantas e a empresária Carla Cicco, da Brasil Telecom, por suposto envolvimento com ''organização criminosa'', e pediu autorização à Justiça.
O juiz Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 5 Vara da Justiça Federal paulista, não deu permissão para a prisão de Dantas e de Carla, mas autorizou a busca e apreensão de documentos que se estendeu para outros endereços, em Curtiba, Brasília e Ribeirão Preto (SP).
A origem da Operação Chacal está no caso Parmalat, processo criminal da 5 Vara que apura lavagem de capitais e evasão de divisas. Durante o processo, uma testemunha, o motorista Adelson Pugliesi, que trabalhou para a presidência da Parmalat, denunciou que teria sido procurado para realizar um trabalho de arapongagem na Telecom Itália, ligada à Parmalat.
A Telecom Itália foi à Justiça e entregou um CD contendo informações sobre empresas e autoridades investigadas pela Kroll, supostamente por encomenda do Opportunity e da Brasil Telecom. Em setembro, o processo da Parmalat foi transferido para uma vara especializada em processos sobre lavagem de valores.
O juiz Chaves de Oliveira mandou abrir procedimento criminal para investigar a espionagem, uma apuração à parte da ação sobre a Parmalat. O primeiro nome apontado foi o do português Thiago Verdial, espião da Kroll.
A investigação revela que Verdial teria cooptado agentes públicos para obter dados bancários, fiscais e telefônicos, protegidos pelo sigilo legal. A PF não descarta a possibilidade. Para a PF, os envolvidos no esquema de espionagem fazem parte de ''uma organização criminosa''.
Dantas e Carla estão sob suspeita de terem contratado a Kroll. O juiz não autorizou a prisão do banqueiro e da empresária sob o argumento de que, por enquanto, existe apenas a suspeita sobre o grupo. Os prisioneiros da Operação Chacal todos funcionários da Kroll, inclusive dois executivos foram autuados por formação de bando e serão indiciados por espionagem empresarial, violação de sigilo bancário, de sigilo telefônico e telemático, além de usurpação de função.
A Chacal apreendeu dezenas de computadores e 12 sofisticados equipamentos para grampo telefônico e escuta ambiental. No apartamento do banqueiro e na sede do Opportunity, no Rio, foram apreendidos documentos. O delegado Romero Menezes, coordenador operacional da PF, declarou que o procedimento não identificou casos de espionagens contra integrantes do governo federal.


