PF prende 4 suspeitos de corrupção na ECT
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quinta-feira, 09 de junho de 2005
Folhapress 
Brasília - A Polícia Federal prendeu ontem quatro pessoas suspeitas de ser mandantes e autoras da gravação em vídeo que revelou a existência de um suposto esquema de corrupção nos Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). A operação da PF ocorreu 26 dias depois de vir à tona as suspeitas sobre corrupção na estatal. O capitão da reserva da Polícia Militar José Fortuna Neves foi preso em Brasília. No Rio de Janeiro, a PF prendeu Arlindo Molina. Joel Santos Filho e João Carlos Mancuso Vilela estavam em Curitiba. Vilela e Santos Filho confirmaram, em depoimento à PF, que são os autores da gravação na qual o servidor Maurício Marinho, ex-chefe do Departamento de Contratação de Materiais e Serviços dos Correios, foi flagrado recebendo uma suposta propina de R$ 3 mil.
Na gravação, revelada pela revista ''Veja'', Marinho diz que o padrinho político do suposto esquema de corrupção é o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ). Em entrevista à Folha de S.Paulo, o parlamentar afirmou que o PT pagaria um ''mensalão'' de R$ 30 mil a deputados do PP e PL, que integram sua base de apoio. Deflagrou, assim, a maior crise do governo Lula.
Ao mesmo tempo em que prendia os quatro investigados, a PF cumpriu, em suas residências e escritórios em Curitiba, Brasília e Rio, 19 mandados de busca e apreensão de documentos e equipamentos. No entendimento da PF e do Ministério Público Federal, órgãos que conduzem a investigação, chegar aos responsáveis pela gravação é o caminho mais rápido e eficiente para decifrar os interesses políticos e empresariais que teriam permeado a administração dos Correios e eventualmente produzido fraudes em detrimento do interesse público.
''Não se está prendendo porque gravaram. Se a pessoa tem conexão com uma rede de desvio de verba em licitações, com empresas, tudo isso tem que ser apurado. Esse grupo é um operacionalizador de todo um esquema'', disse a procuradora Raquel Branquinho dando sua justificativa para o pedido de prisão. Também pedida à Justiça, a prisão de Marinho fora negada anteriormente. Ele foi indiciado por corrupção passiva e fraude a licitações.
Preso em sua casa, em um condomínio no bairro do Lago Sul, em Brasília, Fortuna negou, em depoimento à PF, qualquer envolvimento com a gravação. ''O deputado Roberto Jefferson vem acusando a tudo e a todos. Talvez a tática seja essa: confundir a mídia, as autoridades que investigam e os próprios aliados para que não se chegue a lugar nenhum'', disse Reginaldo Bacci, advogado de Fortuna. O nome do capitão surgiu na investigação porque Jefferson disse ter sido vítima de uma tentativa de extorsão, apresentada por Molina, que também falava em nome de Fortuna. Ainda segundo o advogado, Fortuna quer que tudo seja apurado e, até para colaborar com o propósito, não pedirá à Justiça o relaxamento da prisão temporária. O capitão da reserva foi transferido na tarde de ontem para o 3º Batalhão da Polícia Militar.


